TLO10: Líquen plano inverso vulvar: relato de caso

Autores

  • Maria Laura Jorge Micheletto Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Raíssa Fernanda Rodrigues Ribeiro Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Ana Carolina Silva Chuery Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Jefferson Alfredo de Barros Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Neila Maria de Góes Speck Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-TL10

Palavras-chave:

mulheres, vulva, líquen

Resumo

O líquen plano pigmentoso invertido (LPPI) é uma variante rara do líquen plano pigmentoso (LPP), descrita pela primeira
vez em 2001 e caracterizada por máculas e placas acastanhadas a acinzentadas bem delimitadas, predominantemente
localizadas em áreas intertriginosas, como axilas, virilhas, submamárias e fossas poplíteas, poupando regiões fotoexpostas.
Diferente do LPP clássico, comum em pacientes de fototipos altos (III–V) e distribuído em regiões expostas
ao sol, o LPPI acomete, na maioria dos casos, caucasianos de pele clara (fototipos I–II). Observa-se maior incidência
em pessoas do sexo feminino (63,3%) com média etária de 54,8 anos. O sintoma mais comum é prurido leve (45%).
Em geral, as lesões são bilaterais, destacando-se as axilas (71%), virilhas (56%), regiões submamárias (30%), pescoço e
dobras cervicais. A etiologia é incerta, mas fatores como atrito, uso de roupas apertadas, contato com metais e produtos
químicos, radioterapia prévia e vacinação recente (Covid-19) são apontados como potenciais gatilhos. O diagnóstico
é clínico e histopatológico e as opções terapêuticas incluem corticoide tópico, tacrolimo 0,1%, retinóides tópicos,
ácido tranexâmico, terapia combinada e conduta expectante. Nesse contexto, apresenta-se caso de paciente de 81 anos,
sem comorbidades, com queixa de prurido vulvar há três anos. No exame físico, apresentava mancha hipocrômica na
face interna dos grandes lábios, eritema perineal, perianal e genitocrural, e placa acastanhada com áreas mais pigmentadas
próxima ao sulco genitocrural. A biópsia mostrou epiderme com acantose irregular, hipergranulose, hiperqueratose,
corpos apoptóticos, exocitose de linfócitos, derme com infiltrado inflamatório em faixa rico em linfócitos agredindo a
junção dermoepidérmica e epitélio folicular com melanodermia associada, confirmando o diagnóstico de líquen plano.
A imuno-histoquímica evidenciou padrão normal para P53 e GATA3, além de D240 negativo, o que excluiu lesão precursora
associada. A paciente estava em uso diário de furoato de mometasona 0,1% em pomada. Considerando os dados
clínicos, foi possível o diagnóstico de LPPI no caso relatado. O uso de corticoides tópicos pode ser considerado como
terapêutica inicial, apesar da resposta ser variável, devido à possível refratariedade ao tratamento, sobretudo em áreas
intertriginosas, onde há maior risco de atrofia cutânea. O tacrolimo é considerado uma alternativa segura e eficaz, com
boa tolerância, perfil favorável em dobras e resultados positivos em diversos relatos. Conclui-se que o LPPI é uma doença
cutânea rara, de etiologia multifatorial e curso variável. Difere do LPP clássico por sua topografia inversa e predileção
por pele clara. A biópsia é indispensável para afastar diagnósticos diferenciais como acantose nigricans, eritema discrômico
persistente e dermatite pigmentar de contato. Dada sua raridade, é fundamental aumentar a consciência clínica para
evitar diagnósticos errôneos e tratamentos inadequados, especialmente com corticoides potentes em áreas vulneráveis.

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Publicado

2026-03-04

Como Citar

1.
Micheletto MLJ, Ribeiro RFR, Chuery ACS, Barros JA de, Speck NM de G. TLO10: Líquen plano inverso vulvar: relato de caso. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 4º de março de 2026 [citado 3º de junho de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/156

Edição

Seção

Apresentações Orais