TLO11: Doença do enxerto versus hospedeiro genital feminina pós transplante alogênico de medula óssea
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-TL11Palavras-chave:
doença enxerto-hospedeiro, doenças da vulva, transplante de medula ósseaResumo
O transplante de medula óssea (TMO) alogênico pode provocar doença do enxerto contra o hospedeiro vulvar e vaginal
(DECHVV). Este estudo objetivou conhecer a prevalência e as repercussões ginecológicas de tal doença. Trata-se de
um estudo transversal descritivo, no qual se avaliou pacientes pós-TMO alogênico, submetidas a avaliação ginecológica
por meio da coleta de exame microbiológico vaginal. Vinte e duas pacientes, entre 21 e 61 anos (média de 38 anos),
foram avaliadas em intervalo médio de 1,028 (desvio padrão±979) dias pós-TMO em hospital de referência. Dessas, 15
referiam queixas ginecológicas (sendo ressecamento, ardência e dispareunia as mais comuns), e 12 apresentavam sinais
de atrofia genital ao exame. Encontrou-se prevalência de 45% de DECHVV, com acometimento vulvar e vaginal de
100 e 60%, respectivamente. Sintomas de ardência e dispareunia mostraram-se mais prevalentes entre pacientes com
DECHVV do que entre aquelas não portadoras (p<0,05). Em comparação com a população não submetida ao TMO
alogênico, observou-se maior prevalência de microbiota vaginal intermediária nessas pacientes, conforme escore de
Nugent. A DECHVV é um acometimento potencialmente mutilante, com prevalência importante entre as pacientes
pós-TMO. O acometimento genital vai além das lesões de DECHVV; esse grupo de pacientes requer cuidado ginecológico
especializado e estruturado.