TLO12: O desafio no manejo de hidradenite supurativa: abordagem multidisciplinar e impacto do tratamento imunobiológico
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-TL12Palavras-chave:
mulheres, vulva, hidradeniteResumo
A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória crônica que acomete as unidades foliculopilosebáceas em áreas
intertriginosas (axilas, região inguinal e perineal). Sua fisiopatologia envolve uma inflamação recorrente, crônica e recidivante
dos folículos, com posterior surgimento de nódulos dolorosos, que podem evoluir para abscessos e, até mesmo,
fistulização. A apresentação vulvar é incomum e frequentemente subdiagnosticada, por ser confundida com abscessos
simples, foliculites ou infecções sexualmente transmissíveis. O atraso no diagnóstico é frequente, usualmente com média
de 5 anos, o que favorece a progressão da doença e piora da qualidade de vida. A colposcopia é útil para descartar outras
patologias relacionadas à vulva. O tratamento deve ser individualizado, com abordagem multidisciplinar — dermatologia,
ginecologia e cirurgia plástica —, incluindo higiene e cuidados locais, antibioticoterapia sistêmica e, em casos
avançados, uso de imunomoduladores (como o adalimumabe) ou cirurgia. O adalimumabe é um anticorpo monoclonal
anti-TNF-alfa — a única medicação biológica aprovada para o tratamento da forma moderada ou grave da doença —,
fornecida pelo Sistema Único de Saúde via Laudo de Medicamentos Especializados. A medicação reduz de forma significativa
a atividade inflamatória (diminui a infiltração de células inflamatórias nos tecidos afetados e a produção de
citocinas inflamatórias, além de melhorar a regeneração tecidual e cicatrização). Também reduz a formação de nódulos,
abscessos e fístulas, com impacto positivo na qualidade de vida. Paciente VLEP, 58 anos, em tratamento para diabetes,
vitiligo e hipotireoidismo, recebeu o diagnóstico em 2010 de hidradenite supurativa grau 3 (múltiplas fístulas interconectadas
e abscessos em toda a área afetada), com acometimento em região axilar, abdome inferior, região inguinal,
perianal e perivulvar. Foi encaminhada para o serviço de Patologia do Trato Genital Inferior do Hospital de Clínicas da
Universidade Federal do Paraná para seguimento multidisciplinar, em conjunto com a dermatologia e cirurgia plástica.
Entre 2017 e 2019, foi submetida a cirurgia para ressecção de nódulos em axila, região inguinal e abdominal. Todas as
biópsias das regiões acometidas mostraram resultados histológicos compatíveis com hidradenite. Com base na análise
das lesões, do grau de acometimento e das recidivas com antibioticoterapia sistêmica, ficaram evidenciados os critérios
para início de adalimumabe. Após uso regular, a paciente apresentou estabilidade das lesões, sem novas fistulizações ou
sintomas, sem recidivas e com o quadro controlado. A hidradenite supurativa é uma dermatose inflamatória crônica,
subdiagnosticada, com grande impacto físico e emocional. O presente caso demonstra a importância do diagnóstico
precoce e do manejo multidisciplinar. O seguimento com colposcopia é importante, considerando que a apresentação
vulvar é incomum. A conscientização sobre os fatores de risco modificáveis (como obesidade e tabagismo), além do tratamento
correto, são essenciais para o controle da doença e melhora da qualidade de vida.