TLO13: Sinéquia vulvar em adolescente com doença do enxerto contra o hospedeiro mucocutânea e implicações ginecológicas: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-TL13Palavras-chave:
doença do enxerto, vulva, adolescenteResumo
A sinéquia de pequenos lábios é uma condição caracterizada pela adesão parcial ou completa dos pequenos lábios vulvares.
Usualmente ocorre em razão do hipoestrogenismo fisiológico da infância, fatores irritativos locais, infecções, traumas
ou até mesmo condições inflamatórias crônicas da mucosa, que aumentam o risco de aderência por processos cicatriciais
(doenças autoimunes ou do colágeno). Clinicamente, essa condição pode ser assintomática ou estar associada à dificuldade
miccional, retenção urinária, gotejamento pós-miccional ou infecções urinárias recorrentes. A paciente A.P.L.S, 16
anos, foi diagnosticada com anemia de Fanconi em 2018 e submetida a um transplante de medula óssea, evoluindo com
doença do enxerto contra o hospedeiro grave, com acometimento crônico de mucosas (oral, genital, oftálmica e pulmonar).
Iniciou pubarca aos 14 anos, telarca aos 15 anos, e sem menarca. Foi encaminhada do serviço de hematologia para
o serviço de Patologia do Trato Genital Inferior do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná para avaliação
de possível sinéquia de pequenos lábios com obstrução uretral. A paciente referiu dificuldade de higiene íntima,
associada a leve ardência vulvar, além de dificuldade de micção e posterior retenção urinária, iniciados três meses antes
do encaminhamento. No exame genital, identificou-se sinéquia completa dos pequenos lábios, com aderência translúcida
sob a uretra, envolvendo o terço médio e inferior dos pequenos lábios. Não havia sinais de liquenificação ou infecção
local. Optou-se pela lise de sinéquia em centro cirúrgico, sob narcose. No intraoperatório, procedeu-se à lise com
tentacânula, preservando o meato uretral. Constatou-se vagina em fundo cego, com aproximadamente 3 cm de extensão.
No pós-operatório, foi prescrita massagem no intróito com estriol tópico. A paciente retornou uma semana após o
procedimento para consulta ambulatorial, com nova sinéquia evidenciada em exame. Ela relatou dificuldades nos cuidados
locais e para realizar o tratamento proposto. Realizou-se nova lise de sinéquia de caráter ambulatorial, de forma
manual e com anestésico tópico, sem sangramento ou desconforto significativo. A paciente recebeu nova prescrição de
estrogenização e orientação sobre a importância da manutenção das massagens para evitar nova aderência em razão da
doença de base. Diante do quadro clínico, considera-se o diagnóstico diferencial com líquen escleroso e líquen plano,
ainda sem confirmação diagnóstica. A paciente está em investigação complementar, com exames como cariótipo e ressonância
magnética pélvica em andamento, visando esclarecer outras possíveis condições de base. Esse quadro evidencia
a importância da abordagem cirúrgica da sinéquia para manter a perviedade da uretra e evitar complicações renais
e repercussões urológicas.