TLO4: Genotipagem do papilomavírus humano em mulheres usuárias de dispositivo intrauterino no município do Rio de Janeiro: estudo longitudinal
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-TL04Palavras-chave:
mulheres, HPV, DIUResumo
O dispositivo intrauterino (DIU), amplamente utilizado no Sistema Único de Saúde, tem sido estudado quanto à possibilidade
de desequilíbrio da microbiota vaginal e ao aumento do risco de persistência de infecções, como as causadas
pelo papilomavírus humano (HPV). A infecção genital por HPV pode acometer até 80% das pessoas sexualmente ativas
ao longo da vida. Seus tipos são classificados em baixo e alto risco oncogênico, sendo este último associado ao câncer do
colo do útero. Embora a maioria das infecções seja transitória, o monitoramento por testes moleculares permite identificar
casos de persistência, o que é fundamental para o rastreamento e tratamento de lesões precursoras. O presente trabalho
propôs-se a avaliar a persistência e/ou novas infecções por outros genótipos de HPV ao longo de nove meses de
uso do DIU. Este estudo longitudinal acompanhou 21 mulheres assintomáticas que decidiram inserir o DIU nas Clínicas
da Família Zilda Arns e Rodrigo Y. Aguilar Roig (AP 3.1 – Rio de Janeiro), entre dezembro de 2023 e maio de
2025. O banco de dados integra os resultados preliminares de um projeto de doutorado sobre a avaliação do microbioma
em usuárias do DIU. As amostras cervicovaginais foram obtidas por meio de swabs do colo uterino e do fundo de saco
vaginal. A genotipagem ocorreu na Unidade de Oncovirologia do Instituto Nacional de Câncer, utilizando a plataforma
automatizada HS-12 da Mobius®, que detecta 37 genótipos virais por hibridização reversa. Antes do procedimento,
foram coletados dados epidemiológicos (idade, parceiro fixo, paridade). A média de idade era de 29 anos (variando de
18 a 44). No momento da inserção do DIU, observou-se positividade para HPV em 71,4% (15/21) das participantes, e
38,0% (8/21) registraram infecção por múltiplos genótipos. Após nove meses, 66,7% (14/21) permaneceram positivas
para o HPV; 33,3% (7/21) apresentaram mais de um genótipo; e 23,8% (5/21) adquiriram novos genótipos. Entre as
15 mulheres inicialmente positivas, a taxa de persistência foi de 60,0% (9/15); 13,3% (2/15) obtiveram clareamento
completo (eliminação de todos os genótipos iniciais) e 26,7% (4/15) tiveram clareamento parcial, com eliminação de
um ou mais genótipos, mas com permanência de outros. Os dados preliminares do estudo sugerem que o uso do DIU
não se associa ao aumento da persistência viral nos primeiros nove meses. A maioria das participantes evidenciou clareamento
viral parcial ou completo, indicando mudanças dinâmicas na condição do HPV durante o acompanhamento.