TLO5: Análise da concordância diagnóstica entre exame físico ginecológico e avaliação microscópica do conteúdo vaginal
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-TL05Palavras-chave:
doenças vaginais, exame ginecológico, disbioseResumo
O diagnóstico de infecções vaginais é fundamental para o manejo adequado de pacientes. O exame físico ginecológico,
baseado na avaliação clínica e nas características do corrimento vaginal, é uma ferramenta amplamente utilizada. Contudo,
sua precisão pode ser variável quando comparada à avaliação microscópica do conteúdo vaginal. Este estudo buscou
avaliar a concordância diagnóstica entre o exame físico ginecológico e a análise microscópica do conteúdo vaginal
em uma amostra de mulheres atendidas em ambulatório da Zona Leste de São Paulo. A pesquisa incluiu 134 mulheres,
com idades entre 20 e 64 anos. Quanto ao estado civil, 43% eram solteiras, 37% casadas, 9% em união estável e 9%
divorciadas. Todas as participantes passaram por exame físico ginecológico, na qual os achados clínicos e as características
do corrimento vaginal foram avaliados com base em critérios pré-estabelecidos na literatura. O conteúdo vaginal
foi classificado como: fisiológico, candidíase, vaginose bacteriana, vaginose mista ou vaginose citolítica. Após o exame
físico, realizou-se a coleta de amostra vaginal para análise por microscopia óptica com coloração de Gram. A concordância
diagnóstica entre os métodos foi avaliada pelo coeficiente Kappa, considerando-se muito fraca (0 a 0,20); fraca
(0,21 a 0,40); moderada (0,41 a 0,60); boa/forte (0,61 a 0,80) e muito boa/quase perfeita (0,81 a 1,00). A média de
idade era 39, desvio padrão (±)10 anos, e a paridade média era de 2±2 filhos. A queixa de corrimento vaginal esteve
presente em 54% das mulheres. Entre as infecções sexualmente transmissíveis detectadas, observou-se prevalência de
2% para sífilis e 0,7% para clamídia e tricomoníase. Além disso, 20% das pacientes apresentaram neoplasia intraepitelial
cervical em exame anatomopatológico. Houve 74,4% de concordância entre o exame ginecológico e o achado da
microscopia óptica. Na análise específica, o exame ginecológico demonstrou concordância moderada para o diagnóstico
de disbiose vaginal em comparação com a microscopia óptica (K=0,425). Também houve concordância moderada
para vaginose bacteriana (K=0,443), para associação vaginose bacteriana e candidíase (K=0,427) e conteúdo fisiológico
(K=0,434). Por outro lado, a concordância foi considerada baixa para candidíase isolada (K=-0,029), vaginose citolítica
(K=0,000) e para a correlação entre queixa da paciente e diagnóstico microscópico (K=0,096), sugerindo limitações da
avaliação ginecológica isolada nesses casos. O exame ginecológico demonstrou concordância moderada com a microscopia
óptica na avaliação geral do conteúdo vaginal, especialmente nos casos de vaginose bacteriana. No entanto, para
candidíase e vaginose citolítica, a concordância foi baixa, evidenciando a necessidade de métodos complementares para
maior acurácia diagnóstica. A combinação entre dados clínicos e exames laboratoriais é fundamental para o diagnóstico
mais preciso e o melhor manejo das infecções vaginais.