TLO6: Melanoma em vagina: um relato de caso

Autores

  • Maria Fernanda Santos Caldeira Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Tatiani Araujo Pandim Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Beatriz Oliveira dos Santos Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Fernanda Kesselring Tso Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Karla Calaça Kabbach Prigenzi Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Renato Moretti Marques Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Patricia Napoli Belfort Mattos Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-TL06

Palavras-chave:

mulheres, melanoma, vagina

Resumo

Os melanomas são neoplasias malignas derivadas dos melanócitos, com predominância de manifestações cutâneas, embora
também possam afetar mucosas do trato gastrointestinal, respiratório e geniturinário. A fisiopatologia do melanoma
mucoso ainda é incerta, mas estudos apontam possível associação com o papilomavírus humano (HPV), especialmente
em melanomas vulvares e vaginais. Apesar disso, o papel do HPV na patogênese da doença permanece inconclusivo.
Melanomas mucosos são raros — cerca de 1,3% dos casos — com maior prevalência em mulheres idosas. Dentre esses,
cerca de 18% acometem o trato genital feminino, principalmente vulva, vagina, colo do útero e uretra. O principal sintoma
relatado é sangramento ou secreção vaginal. O prognóstico tende a ser desfavorável em razão do diagnóstico tardio,
com taxa de sobrevida de apenas 25,0% em cinco anos, chegando a 10,7% nos casos geniturinários. O tratamento
preferencial é a excisão do tumor primário, evitando procedimentos cirúrgicos extensos. Estadiamento adequado, índice
de Breslow e ressecção cirúrgica completa estão associados a melhor sobrevida. A paciente P.S.N.S, de 48 anos, foi encaminhada
ao ambulatório de Patologia do Trato Genital Inferior do Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch por cisto
da glândula de Bartholin. Foi identificada nodulação de 2 cm no grande lábio direito há 2 anos, com dor e aumento
do volume após relação sexual. A paciente é sexualmente ativa, tabagista com carga tabágica de cinco cigarros/dia há
20 anos. Trouxe exames realizados previamente em serviço externo de 2023: colpocitologia oncótica cérvico-vaginal
com resultado negativo para lesões intraepiteliais ou malignidade, ultrassonografia transvaginal com útero e ovários sem
alterações. O exame ginecológico da vulva constatou lesão cística de 2 cm localizada no terço inferior do grande lábio
direito e a presença de manchas hipercrômicas de coloração enegrecida em região vestibular, que se estendiam para a
parede vaginal anterior, fórnices vaginais anterior, lateral esquerdo e colo uterino. Biópsias de manchas hipercrômicas
revelaram, em exame anatomopatológico, melanoma maligno invasivo de vagina, com células melanocíticas atípicas,
alto índice mitótico e ulceração. Imuno-histoquímica demonstrou p53 alterado e C-kit positivo, confirmando o diagnóstico
histopatológico. A paciente foi orientada e encaminhada para o serviço de oncologia. Este caso evidencia que
o diagnóstico de melanoma mucoso de vagina é realizado, na maioria das vezes, no exame ginecológico. Exames complementares
(ultrassonografia pélvica transvaginal e colpocitologia oncótica) possuem pouca sensibilidade; a confirmação
diagnóstica ocorre por meio de biópsia incisional ou ressecção. É imprescindível o treinamento dos profissionais da
saúde no reconhecimento de lesões pigmentares na vulva e vagina. Apesar de não frequentes, podem colaborar com a
detecção precoce e melhor prognóstico clínico.

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Publicado

2026-03-05

Como Citar

1.
Caldeira MFS, Pandim TA, Santos BO dos, Tso FK, Prigenzi KCK, Marques RM, et al. TLO6: Melanoma em vagina: um relato de caso. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 5º de março de 2026 [citado 2º de junho de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/165

Edição

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