TLO9: Linfoma não Hodgkin primário de vagina: relato de caso

Autores

  • Mariana Abduch Rahal Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Gláucia Maria Passos de Sousa Soares Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Gustavo Rubino de Azevedo Focchi Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Ana Carolina Silva Chuery Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Fernanda Kesselring Tso Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
  • Neila Maria Góis Speck Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-TL09

Palavras-chave:

linfoma, vagina, mulheres

Resumo

O linfoma não Hodgkin (LNH) primário da vagina é uma neoplasia rara, representando uma fração mínima dos tumores
do trato genital inferior feminino. Entre os subtipos histológicos, o linfoma difuso de grandes células B é o mais
prevalente. O LNH do trato genital feminino tende a acometer mulheres em idade reprodutiva ou na pós-menopausa,
sem fatores de risco específicos além dos conhecidos para a doença em geral, como imunossupressão e infecções virais.
O LNH vaginal pode se manifestar com sintomas inespecíficos, como sangramento vaginal anormal, massa vaginal, dor
pélvica, dispareunia ou sintomas urinários, dependendo da extensão local da doença. O diagnóstico diferencial inclui
neoplasias epiteliais, sarcomas, lesões benignas ou infecciosas. Na doença localizada, a quimioterapia é o pilar do tratamento,
podendo ser associada a radioterapia e a cirurgia em casos selecionados. Paciente do sexo feminino, de 63 anos, foi
encaminhada para o ambulatório, especializado em patologia do trato genital inferior, em abril de 2025, em decorrência
de sangramento vaginal intermitente após realizar coleta de colpocitologia oncótica em setembro de 2024. Em março
de 2025, foi submetida previamente à colposcopia, que revelou formação nodular vegetante em terço médio de parede
lateral vaginal direita, sangrante à manipulação. No exame realizado em nosso serviço, evidenciou-se lesão exofítica
friável, nodular, em terço médio e superior de parede lateral vaginal direita de aproximadamente 5,0 cm, com neovascularização.
A biópsia desta lesão apresentou resultado anatomopatológico e imuno-histoquímico de neoplasia de alto
grau de células de padrão epitelioide, não se podendo excluir neoplasia hematoproliferativa (linfoma), compatível com
linfoma não Hodgkin de imunofenótipo B, favorecendo linfoma difuso de grandes células B, respectivamente. A ressonância
magnética de pelve revelou a presença de espessamento nodular na parede anterolateral direita de vagina, além
de imagens nodulares no espaço isquioanal direito, medindo até 4,0x1,7 cm. A paciente foi encaminhada à equipe de
hematologia, que solicitou demais exames para estadiamento e seguimento, e foi iniciado o tratamento quimioterápico.
O LNH vaginal é uma apresentação rara, com manifestações clínicas de sangramento vaginal anormal, principalmente
com dor ou desconforto local, presença de massa ou área endurecida na vagina e, menos frequentemente, sintomas sistêmicos.
Trata-se de um caso raro que reforça a importância do diagnóstico diferencial de massas vaginais, sobretudo
em pacientes fora do padrão epidemiológico para tumores ginecológicos epiteliais. No caso em questão, a paciente não
apresentava os principais fatores de risco descritos na literatura para tal doença. O reconhecimento precoce por ginecologistas
pode impactar significativamente o prognóstico. O manejo é multidisciplinar baseado em quimioterapia sistêmica
como primeira linha terapêutica, e o prognóstico depende do subtipo histológico, estadiamento e resposta ao tratamento.

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Publicado

2026-03-05

Como Citar

1.
Rahal MA, Soares GMP de S, Focchi GR de A, Chuery ACS, Tso FK, Speck NMG. TLO9: Linfoma não Hodgkin primário de vagina: relato de caso. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 5º de março de 2026 [citado 2º de junho de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/168

Edição

Seção

Apresentações Orais