EP04: Ultrassom microfocado endovaginal como abordagem não invasiva nas disfunções urogenitais femininas: estudo clínico no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Autores

  • Julia Lima Gandolfo
  • Ana Maria Sampaio Moreira Grell
  • Haydee Barbosa Mastrocola
  • Edmund Chada Baracat
  • Jose Maria Soares Junior
  • Elsa Aida Gay
  • Maricy Tacla Alves Barbosa

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP04

Palavras-chave:

mulheres, incontinência urinária, menopausa

Resumo

Introdução: As disfunções urogenitais, como incontinência urinária de esforço (IUE), síndrome geniturinária da
menopausa (SGM) e frouxidão vaginal, afetam significativamente a qualidade de vida de mulheres em diferentes fases
da vida, principalmente no climatério e no pós-parto. Nos últimos anos, terapias não cirúrgicas vêm sendo utilizadas,
entre elas ultrassom microfocado. Objetivo: Analisar a eficácia e a segurança do ultrassom microfocado endovaginal
como tratamento não invasivo para disfunções urogenitais. Métodos: Trata-se de estudo prospectivo e observacional,
em andamento, realizado no Hospital das Clínicas (ICHC-FMUSP), com 12 mulheres entre 39 e 65 anos submetidas
a uma aplicação de HIFU endovaginal. As pacientes apresentavam queixas de IUE leve ou urgência urinária, além de
ressecamento vaginal, prurido vulvar e dispareunia. Na triagem, foram realizados exames clínicos, laboratoriais e biópsia
vaginal, além da aplicação de três questionários validados (ICIQ-SF, IFSF-6, VHI). As participantes retornaram após
30 e 60 dias da sessão para reavaliação clínica e aplicação de questionário de satisfação dos sintomas. O encerramento
do estudo está previsto para outubro de 2025, com novos exames e coleta de dados ao longo de seis meses. Resultados:
Após a aplicação única de HIFU, observou-se melhora significativa na satisfação sexual e urinária das participantes.
Ao final do primeiro mês, 58,3% das mulheres estavam satisfeitas com a vida sexual e, 60 dias após a sessão, 75% delas
relataram satisfação. A satisfação com a saúde urinária em geral também aumentou de 41,7% no primeiro mês para 75%
no segundo mês após a aplicação da energia. Das 12 participantes, quatro apresentavam queixas de prurido vulvar, ressecamento
vaginal e dispareunia. Após um mês da aplicação, 60% relataram melhora parcial e 40% melhora completa
dos sintomas. Aos 60 dias, todas as pacientes referiram resolução completa dessas queixas. Quanto à IUE e à urgência
miccional, apenas uma participante não apresentava sintomas urinários. Das 11 restantes, oito (72%) relataram melhora
significativa da IUE após dois meses, duas (18%) tornaram-se assintomáticas e uma não observou melhora. Em relação
à urgência miccional, quatro pacientes referiram melhora parcial, seis não apresentaram melhora ou relataram melhora
mínima, e apenas uma paciente referiu melhora completa. Esses dados sugerem que a urgência miccional pode demandar
abordagens terapêuticas complementares. Conclusão: O presente estudo indica que o HIFU, em aplicação única,
pode constituir alternativa no tratamento das disfunções urogenitais, especialmente em mulheres que buscam terapias
menos invasivas. Ressalta-se, ainda, a importância de pesquisas que consolidem a eficácia, a segurança e os mecanismos
fisiológicos associados ao uso dessa tecnologia na prática clínica.

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Publicado

2026-03-08

Como Citar

1.
Gandolfo JL, Grell AMSM, Mastrocola HB, Baracat EC, Soares Junior JM, Gay EA, et al. EP04: Ultrassom microfocado endovaginal como abordagem não invasiva nas disfunções urogenitais femininas: estudo clínico no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 8º de março de 2026 [citado 16º de maio de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/171

Edição

Seção

Apresentação em Posteres