EP08: Abordagem da úlcera vulvar causada pela doença de Behçet: um relato de caso

Autores

  • Luisa Faria Campos
  • Gabriela Noel Ratto
  • Mary Juciane Galvão Zamboni Vettore
  • Maria Catharina Piersanti Valiante
  • Marília Abirachid Rezende

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP08

Palavras-chave:

Mulher, vulva, úlcera

Resumo

Introdução: A Doença de Behçet é uma vasculite sistêmica rara, de patogênese pouco esclarecida, caracterizada por resposta
inflamatória exuberante e predisposição genética. Na ginecologia, pode manifestar-se por meio de úlceras genitais
dolorosas, potencialmente debilitantes para as mulheres, causando dor e desconforto crônicos. Relato do Caso: Paciente
PFGA, 32 anos, sexo feminino, sem comorbidades prévia, evoluiu com lesões ulceradas vulvares havia dois meses. Foi instituído
tratamento com azitromicina e ceftriaxona, sem melhora. Em atendimento ginecológico, identificaram-se duas
lesões vulvares: à direita, medindo 1,5 cm, e à esquerda, cerca de 4 cm de diâmetro; profundas, de fundo sujo, bordos
regulares e elevados, dolorosas e sem linfonodomegalias. Realizou-se terapia empírica com cefalexina, amoxicilina +
clavulanato, mupirocina, metronidazol e curativos diários, sem melhora. O exame histopatológico da lesão demonstrou
acentuado processo inflamatório ulcerado e hiperplasia escamosa benigna; a cultura da secreção foi negativa. As sorologias
para sífilis, HIV e hepatites foram negativas. Aventou-se a hipótese de Doença de Behçet, sendo identificado histórico
de episódios prévios de úlceras genitais com resolução espontânea, aftas orais recorrentes e lesões de pele acneiformes,
reforçando a suspeita diagnóstica. Iniciou-se tratamento com colchicina e prednisona, associado à terapia hiperbárica
(30 sessões), com melhora importante durante sua vigência; contudo, observou-se piora da lesão após a interrupção do
tratamento. Optou-se, então, pela associação com azatioprina, evoluindo com regressão das lesões. Em acompanhamento
multidisciplinar, não foram identificadas lesões oftalmológicas. Discussão: A Doença de Behçet é uma enfermidade
rara, cujo diagnóstico é estabelecido na presença de úlceras orais recorrentes associadas a dois dos seguintes critérios:
úlceras genitais recorrentes, lesões oculares, lesões cutâneas e teste de patergia positivo. Com ampla variedade clínica, o
tratamento baseia-se no órgão acometido e na gravidade dos sintomas, podendo incluir corticosteroides tópico ou sistêmico,
colchicina, azatioprina e agentes imunobiológicos em casos graves. O diferencial deste caso foi o uso da terapia
hiperbárica para cicatrização das lesões, recurso pouco documentado na literatura, mas relevante na cicatrização de feridas.
O relato mostra-se pertinente devido à raridade da Doença de Behçet e à importância de sua consideração como
diagnóstico diferencial em casos de úlceras vulvares, a fim de evitar desfechos desfavoráveis.

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Publicado

2026-03-08

Como Citar

1.
Campos LF, Ratto GN, Vettore MJGZ, Valiante MCP, Rezende MA. EP08: Abordagem da úlcera vulvar causada pela doença de Behçet: um relato de caso. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 8º de março de 2026 [citado 18º de maio de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/175

Edição

Seção

Apresentação em Posteres