EP13: Análise do esquema vacinal completo contra o Papilomavírus Humano no Brasil: adesão regional durante uma década
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP13Palavras-chave:
vacinação, Papilomavírus Humano, epidemiologiaResumo
Introdução: A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) representa um importante avanço na prevenção do
câncer de colo do útero (CCU). A inclusão da vacina no Calendário Nacional de Imunizações tem como objetivo reduzir
a incidência de doenças causadas pelo HPV, com impacto relevante na saúde pública. Além da proteção individual,
a vacinação em larga escala contribui para a redução da circulação do vírus na população, promovendo imunidade coletiva.
Assim, constitui uma estratégia de prevenção primária com potencial para reduzir a morbimortalidade causada
pelo CCU. Objetivo: Avaliar o esquema vacinal nas regiões brasileiras e comparar a aplicação da primeira e da segunda
dose das vacinas contra o HPV entre 2013 e 2022. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo e epidemiológico que
aborda a imunização contra o HPV por região brasileira no período de 2013 a 2022. Os dados, de domínio público,
foram obtidos por meio do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram analisados
os números de primeiras e segundas doses aplicadas em pessoas do sexo feminino de 9 a 14 anos, sendo calculadas as
porcentagens de adesão à segunda aplicação em relação à primeira. Resultados: Foi aplicado um total de 30.528.187
doses da vacina contra o HPV em meninas de 9 a 14 anos no Brasil, das quais 17.627.867 correspondem à primeira
dose e 12.794.983 à segunda dose, indicando adesão de 72,5% da segunda em relação à primeira. A região Norte apresentou
a menor adesão à segunda dose: das 2.903.630 doses aplicadas, apenas 68,1% corresponderam à segunda aplicação.
O Centro-Oeste apresentou a segunda menor taxa de adesão, com 2.285.167 doses aplicadas e adesão de 69,7%
à segunda dose. No Nordeste, foram aplicadas 8.963.136 doses no total, com cobertura de 70,1% da segunda em relação
à primeira. O Sudeste foi a região com o maior número de doses aplicadas (12.188.388), apresentando adesão de
74,3% à segunda aplicação. Por fim, a região Sul apresentou 4.187.866 doses totais, destacando-se com a maior taxa de
adesão à segunda dose (77,4%). Conclusão: No período estudado, a adesão à segunda dose da vacina contra o HPV
atingiu média nacional de 72,58%, porém com variações significativas entre as regiões. Apesar dos avanços obtidos, a
adesão à segunda dose permanece inferior ao esperado para garantir proteção ampla e eficaz contra o HPV, especialmente
nas regiões Norte e Centro-Oeste, que apresentaram as menores taxas de adesão, abaixo de 70%. Em contraste,
a Região Sul destacou-se com a maior taxa de adesão, acima de 77%. Essas diferenças regionais evidenciam a importância
da adoção de estratégias voltadas ao enfrentamento de barreiras locais, principalmente em regiões isoladas, como
a Amazônia, onde há elevada mortalidade por CCU. O presente estudo fornece dados que podem subsidiar ações para
ampliar a disseminação da vacinação contra o HPV, promovendo maior equidade na cobertura vacinal consequente
redução dos cânceres associados ao HPV.