EP15: Lesões intraepiteliais escamosas de alto grau em mulheres com menos de 25 anos: relato de 10 casos da serra gaúcha, Rio Grande do Sul, Brasil

Autores

  • Manoela Guerra Godoy
  • Alessandra Eifler Guerra
  • Luiza Bondan Miorando

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP15

Palavras-chave:

Papilomavírus Humano, lesão intraepitelial escamosa de alto grau, citologia

Resumo

Introdução: O Papilomavírus Humano (HPV) é a infecção sexualmente transmissível mais prevalente no mundo, acometendo
até 80% das mulheres sexualmente ativas ao longo da vida. Dentre os mais de 200 genótipos identificados, cerca
de 14 são oncogênicos, estando associados a mais de 98% dos casos de câncer do colo do útero. No Brasil, o câncer cervical
representa a terceira neoplasia mais incidente em mulheres, com aproximadamente 17 mil novos casos estimados
por ano no biênio 2023–2025. Embora passível de prevenção e detecção precoce, o rastreamento ofertado pelo Sistema
Único de Saúde (SUS) inicia-se aos 25 anos, considerando a alta taxa de regressão espontânea das infecções. Entretanto,
estudos recentes têm questionado a segurança dessa idade mínima, relatando lesões graves em mulheres jovens. Relato
dos Casos: Descreve-se uma série de 10 pacientes com menos de 25 anos atendidas na rede privada da Serra Gaúcha,
diagnosticadas com lesões intraepiteliais escamosas de alto grau (LEIAG) confirmadas por exame anatomopatológico
(AP). Caso 1: A.C., 20 anos, citologia inicial de lesão intraepitelial de baixo grau (LEIBG), AP confirmando LEIAG,
HPV 35/58, ki67 20%, p16 100%. Caso 2: Y.L., 20 anos, histórico de LEIBG, evolução para LEIAG com HPV 6/11,
45 e 56. Caso 3: B.S., 21 anos, inicialmente LEIBG, evoluiu para LEIAG confirmado em conização, HPV 58 e posteriormente
6/11. Caso 4: E.F., 23 anos, citologia negativa prévia, posteriormente LEIBG evoluindo para LEIAG, HPV
31, ki67 40%, p16 100%, submetidas à conização. Caso 5: E.B., 23 anos, citologias anteriores negativas, apresentou
LEIAG com HPV 45/51. Caso 6: J.K., 24 anos, LEIAG confirmado após citologia e AP, HPV 51, com endocervicite
crônica associada. Caso 7: D.B., 24 anos, LEIAG recorrente, HPV 16, ki67 40%, p16 90%, mantendo alterações em
múltiplos controles. Caso 8: G.S., 25 anos, LEIBG inicial, evoluiu para LEIAG com HPV 18 confirmado em AP. Caso
9: L.L., 25 anos, citologias prévias negativas, diagnóstico de LEIAG com HPV 35/52. Caso 10: L.O., 25 anos, LEIBG
evoluindo para LEIAG, HPV 31, conização confirmando lesão de alto grau. Comentários: Esta série demonstra que,
embora a maioria das infecções por HPV em mulheres jovens apresente regressão espontânea, existe um grupo não desprezível
abaixo dos 25 anos que desenvolve lesões de alto grau, detectáveis por colposcopia, biópsia e imuno-histoquímica.
Apesar de as diretrizes nacionais iniciarem o rastreamento aos 25 anos, os casos descritos reforçam a necessidade
de avaliação individualizada em jovens com fatores de risco, como múltiplos parceiros, citologias alteradas repetidas ou
genótipos oncogênicos. Essa investigação precoce pode prevenir a progressão para carcinoma invasor. Além disso, destaca-
se a desigualdade no acesso, pois todas as pacientes foram acompanhadas na rede privada, sugerindo lacunas no rastreamento
do setor público. Tais achados sustentam a hipótese de rever a política de triagem para contemplar mulheres
jovens de maior risco, visando reduzir desfechos graves.

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Publicado

2026-03-08

Como Citar

1.
Godoy MG, Guerra AE, Miorando LB. EP15: Lesões intraepiteliais escamosas de alto grau em mulheres com menos de 25 anos: relato de 10 casos da serra gaúcha, Rio Grande do Sul, Brasil. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 8º de março de 2026 [citado 3º de junho de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/182

Edição

Seção

Apresentação em Posteres