EP16: Correlação entre genótipos de Papilomavírus Humano detectados por reação em cadeia da polimerase e alterações citopatológicas: estudo de coorte retrospectivo de 2.500 mulheres do Rio Grande do Sul

Autores

  • Manoela Guerra Godoy
  • Alessandra Eifler Guerra

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP16

Palavras-chave:

Papilomavírus Humano, câncer do colo do útero, reação em cadeia da polimerase

Resumo

Introdução: A infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV) constitui condição necessária para o desenvolvimento
do câncer do colo do útero. Estudos recentes investigam a associação entre genótipos virais específicos e
a gravidade das alterações citológicas, impactando a estratificação de risco e as condutas clínicas. Objetivo: descrever a
frequência dos genótipos de HPV detectados por reação em cadeia da polimerase (PCR) e correlacioná-los com os achados
citopatológicos. Materiais e Métodos: Estudo de coorte transversal e retrospectivo, baseado em banco de dados de
2.500 exames de PCR e respectivos laudos citopatológicos coletados entre novembro de 2024 e maio de 2025, no Rio
Grande do Sul (Brasil). Foram analisadas as variáveis: idade, genótipos detectados (incluindo coinfecções), resultado
citopatológico (normal, alterações de significado indeterminado, lesão intraepitelial de baixo grau – LEIBG, lesão de
alto grau – LEIAG, neoplasias glandulares e adenocarcinoma in situ) e ausência de resultado citopatológico. Os dados
foram tabulados em planilha eletrônica e analisados por frequência absoluta, percentual e teste do qui-quadrado. Resultados:
Entre os genótipos de alto risco, os mais frequentes foram HPV 16 (87 casos; 12,81%), 52 (60 casos; 8,83%), 18
(33 casos; 4,86%) e 31 (21 casos; 3,09%), com coinfecções identificadas em 207 mulheres (30,5% das positivas). O HPV
16 apresentou associação estatisticamente significativa com LEIAG (25 casos; 28,73%; p<0,05). Entre as mulheres com
PCR positivo, 360 apresentaram citologia negativa (53% das infectadas), evidenciando a importância do seguimento
mesmo em casos com citologia normal. Das 2.500 pacientes analisadas, 2.180 possuíam exame citopatológico, sendo
429 com alterações, das quais 145 de significado indeterminado (AGC, ASC-US, ASC-H) e 46 associadas a PCR
positiva. Destas, 32 foram confirmadas por exame anatomopatológico (8 LEIAG, 24 LEIBG e 62 casos de cervicite/
endocervicite). Entre os 284 casos com alterações atribuídas ao HPV, identificaram-se 3 adenocarcinomas confirmados
em anatomopatológico, 119 casos de LEIAG e 162 de LEIBG. A distribuição etária mostrou prevalência de LEIAG
semelhante em mulheres <30 anos (5,6%) e entre 30–45 anos (5,9%), com redução acima de 45 anos (4,5%). Contudo,
o maior número absoluto de testes em mulheres de 30–45 anos (1.119 casos; 51,33% do total com PCR+CP) resultou
em maior número de LEIAG nessa faixa etária. Alterações de menor gravidade (ASC-US e LEIBG) foram proporcionalmente
mais comuns em mulheres <30 anos (18,9%) do que nas faixas etárias superiores (8,7% entre 30–45 anos
e 7,5% acima de 45 anos). Conclusão: Os genótipos de alto risco, especialmente o HPV 16, mantêm relevante associação
com LEIAG, justificando o rastreamento e a vigilância contínua, inclusive em mulheres com citologia normal.
O estudo reforça a importância da detecção genotípica aliada ao exame citopatológico na estratificação de risco e no
manejo preventivo do câncer cervical.

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Publicado

2026-03-08

Como Citar

1.
Godoy MG, Guerra AE. EP16: Correlação entre genótipos de Papilomavírus Humano detectados por reação em cadeia da polimerase e alterações citopatológicas: estudo de coorte retrospectivo de 2.500 mulheres do Rio Grande do Sul. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 8º de março de 2026 [citado 16º de maio de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/183

Edição

Seção

Apresentação em Posteres