EP17: Prevalência de patologias do trato genital inferior feminino durante a 106ª Missão do Barco Hospital Papa Francisco
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP17Palavras-chave:
vulvovaginite, líquen simples crônico, doença inflamatória pélvicaResumo
Introdução: As patologias do trato genital inferior (PTGIs) são as queixas mais prevalentes no ambulatório de ginecologia,
especialmente as vulvovaginites (VV), que podem evoluir para Doença Inflamatória Pélvica (DIP). O prurido
vulvar crônico é outra queixa frequente, frequentemente tratado erroneamente como candidíase sendo o líquen simples
crônico uma dermatose genital com características atópicas e responsável por 2–3% desses casos. A região Norte apresenta
as maiores taxas de Incidência e mortalidade por câncer cervicouterino, segundo o INCA, além de baixa cobertura
pela colpocitologia (CO). Objetivo: Descrever a prevalência das PTGIs econtradas durante a 106ª missão no Barco
Hospital Papa Francisco (BHPF) na população ribeirinha de Aveiro, Pará (PA). Material e Métodos: Estudo transversal
com dados secundários provenientes do banco de dados digital do BHPF. A amostra foi composta por 93 mulheres
atendidas pelo único ginecologista da missão (8 a 13 de novembro de 2024), sendo quatro gestantes em pré-natal e 89
casos de patologias ginecológicas. As pacientes foram submetidas à anamnese e exame físico ginecológico (especular, teste
de Whiff, testes de inspeção visual, coleta de CO — quando em condições adequadas — e toque vaginal). O banco de
dados foi construído e analisado no Epidata Analyses 3.0.0. Resultados: A média de idade das pacientes foi de 37 anos
(16 a 84 anos). A coitarca ocorreu, em média, aos 16 anos (13 a 22 anos), sendo relatado um único parceiro sexual ao
longo da vida por 58,9% das mulheres, a maioria dos quais trabalha fora do município por dias ou meses. Entre as participantes,
22,5% relataram ser a primeira vez que realizavam coleta de CO, sendo efetivamente coletadas 27 amostras
(26,5%). Observou-se que 86% das pacientes apresentavam a vulva totalmente depilada à lâmina, prática relatada como
costume regional. Verificou-se VV em 19,4% dos casos (9,7% vaginose bacteriana e 9,7% candidíase). A DIP apresentou
alta prevalência (24,7%), sendo considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST) polimicrobiana. Diagnosticou-
se líquen simples crônico em 5,4% das pacientes. A coleta de CO de rotina foi baixa (10,8%). Realizaram-se
exéreses de três pólipos endocervicais, sendo diagnosticados um caso de neoplasia intraepitelial cervical de baixo grau e
um caso de câncer cervical invasor previamente tratado. Conclusão: Observou-se alta prevalência de DIP nessa população,
provavelmente em virtude de VV e/ou cervicite não diagnosticadas ou inadequadamente tratadas, possivelmente
associadaa ao fato de a maioria dos parceiros trabalhar fora do município, o que pode favorecer a multiplicidade de parcerias
sexuais e, consequentemente, a aquisição de ISTs. Ressalta-se que o atendimento ginecológico local é restrito a
um médico clínico geral do Programa de Saúde da Família, sendo os casos encaminhados a Santarém, PA. O hábito
de depilação total da vulva pode ter contribuído para a maior prevalência de líquen simples crônico, indicando a necessidade
de melhor orientação pelas equipes de saúde locais quanto às medidas de higiene íntima e vestuário, a fim de
reduzir a ocorrência dessas patologias.