EP20: Carcinoma basocelular da vulva: revisão de literatura sobre uma neoplasia rara em topografia incomum
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP20Palavras-chave:
carcinoma basocelular, neoplasias vulvares, ginecologiaResumo
Introdução: O carcinoma basocelular (CBC) é o tipo histológico mais comum entre os cânceres cutâneos, estando fortemente
relacionado à exposição solar crônica. No entanto, sua ocorrência em áreas não fotoexpostas, como a vulva, é
extremamente rara. Diferentemente de outros subtipos de câncer vulvar, a infecção por Papilomavírus Humano (HPV)
não parece desempenhar papel etiológico estabelecido nesse tipo tumoral. Estima-se que o CBC vulvar represente
entre 2 e 4% de todas as neoplasias malignas da vulva, e menos de 1% dos carcinomas basocelulares em geral. Objetivos:
Realizar uma revisão da literatura acerca do carcinoma basocelular da vulva, com foco em sua apresentação clínica,
diagnóstico, conduta terapêutica e prognóstico, com o intuito de ampliar o reconhecimento desta entidade rara e auxiliar
em sua abordagem clínica. Métodos: Foi conduzida uma revisão narrativa da literatura utilizando as bases de dados
PubMed, Scopus e LILACS, com os descritores “carcinoma basocelular”, “vulva” e “neoplasias vulvares”, em português e
inglês, conforme os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Foram incluídos artigos publicados entre 2013 e 2024,
abordando aspectos clínicos, terapêuticos e epidemiológicos do CBC vulvar. Resultados: Os dados disponíveis indicam
que o CBC da vulva acomete preferencialmente mulheres brancas, em idade pós-menopáusica. A apresentação clínica
mais comum é a de uma lesão nodular ou papular, geralmente unilateral, de pequenas dimensões e crescimento lento.
Sintomas como prurido ou desconforto vulvar podem estar presentes, mas são inespecíficos, frequentemente levando
ao subdiagnóstico e ao tratamento inicial inadequado, voltado a condições dermatológicas ou inflamatórias. A principal
forma de tratamento é a excisão cirúrgica completa, sendo a obtenção de margens livres essencial para minimizar o risco
de recidiva, que pode chegar a 20% quando há comprometimento das margens. A evolução clínica tende a ser favorável,
com baixa taxa de metástase. Conclusão: Embora raro, o CBC da vulva deve ser incluído no diagnóstico diferencial
de lesões vulvares persistentes em mulheres idosas. A confirmação histopatológica precoce e a ressecção cirúrgica
adequada são fundamentais para um bom prognóstico. O reconhecimento clínico dessa neoplasia é crucial para evitar
atrasos diagnósticos que possam comprometer a abordagem terapêutica.