EP22: Câncer da vulva e a importância do acompanhamento ginecológico: um caso clínico
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP22Palavras-chave:
neoplasias vulvares, hérnia inguinal, metástase neoplásicaResumo
Introdução: O câncer de vulva é uma neoplasia rara, correspondendo a cerca de 4% dos tumores ginecológicos. O subtipo
mais prevalente é o carcinoma espinocelular, que pode estar relacionado ou não à infecção pelo Papilomavírus
Humano (HPV). A forma não associada ao HPV costuma ocorrer em mulheres idosas, muitas das quais não mantêm
acompanhamento ginecológico regular. O diagnóstico pode ser retardado ou confundido com outras condições, especialmente
quando a apresentação clínica ocorre por meio de lesões em topografias não diretamente genitais, como a
região inguinal. O presente relato destaca a importância do exame ginecológico de rotina, mesmo em idades avançadas,
e ilustra um caso de câncer de vulva inicialmente confundido com hérnia inguinal encarcerada. Relato de Caso:
Mulher de 68 anos, nuligesta, com antecedentes de doença plurimetabólica e menopausa aos 47 anos, procurou atendimento
na Unidade Básica de Saúde com queixa de caroço na virilha esquerda, doloroso e com cerca de 30 dias de evolução.
A paciente relatava ausência de acompanhamento ginecológico há aproximadamente dez anos e negava outras
queixas ginecológicas. Foi inicialmente encaminhada para o ambulatório de cirurgia geral, com hipótese diagnóstica de
hérnia inguinal encarcerada. Ao exame físico realizado em unidade de referência secundária, observou-se tumoração
arroxeada na região inguinal, com pontos de drenagem serosa. Solicitado parecer do setor de patologia vulvar, identificou-
se lesão exofítica friável na vulva, localizada no pequeno lábio esquerdo, com extensão ao introito vaginal. Foi realizada
biópsia da lesão vulvar com bisturi de alta frequência. O exame histopatológico revelou carcinoma espinocelular
de padrão verrucoso, não associado ao HPV. A paciente foi referenciada ao Centro de Alta Complexidade em Oncologia
(CACON-HUPAA), onde foi submetida à ressecção cirúrgica da lesão vulvar e da tumoração inguinal. O estadiamento
clínico indicou doença em estágio IVb. A proposta terapêutica incluiu quimioterapia e radioterapia adjuvantes.
O exame anatomopatológico da lesão inguinal confirmou tratar-se de metástase do carcinoma espinocelular primário
da vulva. Comentários: O caso ilustra a dificuldade no diagnóstico do câncer de vulva em mulheres idosas sem acompanhamento
ginecológico regular, ressaltando a importância do autocuidado e da vigilância médica para detecção precoce
e melhores resultados terapêuticos.