EP25: Condiloma acuminado de apresentação atípica: um relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP25Palavras-chave:
condiloma acuminado, HPV, genitalResumo
Introdução: O condiloma acuminado é uma lesão epitelial benigna associada ao Papilomavírus Humano (HPV), predominantemente
aos tipos 6 e 11, de baixo risco oncogênico. Clinicamente, apresenta-se como pápulas ou placas verrucosas
em áreas anogenitais. No entanto, formas clínicas atípicas podem dificultar o diagnóstico, levando a atrasos terapêuticos
e ao aumento do risco de complicações. Estudos mostram que variantes de crescimento lento e ausência de
sintomas, quando não acompanhadas de exame físico adequado, podem atingir grandes dimensões antes do diagnóstico.
A presença de lesões exuberantes em imunocompetentes deve levantar suspeita de subtipos variantes ou apresentações
histológicas incomuns. Relato de Caso: Paciente feminina, 27 anos, G2P2, previamente hígida, procurou atendimento
de emergência com queixa de lesão vulvar. Relatava excesso de pele na vulva, com início insidioso há cerca de
cinco anos, sem dor ou sangramento, tendo utilizado pomadas esporadicamente, sem melhora. Nunca havia realizado
exame ginecológico adequado. Ao exame físico, observaram-se múltiplas lesões polipoides pediculadas, de superfície lisa
e tamanhos variados, com base na borda dos pequenos lábios bilateralmente, acometendo toda a sua extensão. Lesão
semelhante foi observada nas pregas anais. Não havia invasão de vagina, uretra ou canal anal. Foi realizada biópsia incisional,
cujo resultado anatomopatológico inicial revelou papiloma escamoso de provável etiologia viral. A paciente foi
submetida à vulvectomia parcial bilateral com exérese das lesões. O laudo definitivo confirmou condiloma acuminado,
sem displasia ou invasão. Evoluiu bem no pós-operatório, recebeu vacina contra o HPV e foi encaminhada ao seguimento
ambulatorial. Comentários: Este caso ilustra uma forma incomum de condiloma acuminado em paciente jovem
e imunocompetente, com lesões volumosas e de longa evolução sem diagnóstico. A ausência de sintomas significativos e
a falta de exame ginecológico contribuíram para o retardo diagnóstico e a progressão da doença. Embora, em geral, o
condiloma apresente morfologia típica, formas atípicas — como lesões polipoides, vegetantes ou pseudoepiteliomatosas
— podem simular neoplasias benignas ou malignas do trato anogenital. Essas variantes, somadas à longa duração e
ao crescimento progressivo, impõem desafios diagnósticos e demandam confirmação histológica cuidadosa. A excisão
completa tende a ter bom prognóstico, mas a possibilidade de recorrência justifica seguimento ambulatorial regular e
vacinação como parte essencial do manejo.