EP27: Condiloma gigante de Buschke-Löwenstein na gravidez: um relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP27Palavras-chave:
condiloma, HPV, genitalResumo
Introdução: O tumor de Buschke-Löwenstein (TBL), ou condiloma acuminado gigante, é uma neoplasia rara de crescimento
exofítico, localmente destrutiva e associada aos subtipos 6 e 11 do Papilomavírus Humano (HPV). Apesar de
histologicamente benigno, apresenta comportamento agressivo, alta taxa de recorrência e risco de transformação maligna
em carcinoma espinocelular, especialmente em imunossuprimidos. A infecção pelo HIV contribui para a persistência
das lesões e maior chance de degeneração neoplásica. O diagnóstico é clínico e histopatológico, e o tratamento de escolha
é a excisão cirúrgica. Relata-se o caso de uma gestante imunossuprimida com TBL. Relato de Caso: Paciente de 31
anos, gestante, vivendo com HIV, em uso de antirretrovirais e sulfametoxazol/trimetoprim profilático, com carga viral
de 942 cópias/mL e contagem de linfócitos CD4 de 65 células/μl. Comorbidades associadas incluíam diabetes mellitus
tipo 2 de controle irregular, hipertensão crônica com pré-eclâmpsia sobreposta e tuberculose em fase final de tratamento.
Encaminhada à emergência obstétrica do Hospital Fêmina com 23 semanas e 5 dias, por condilomatose vulvar extensa.
Ao exame, apresentava lesões verrucosas volumosas em vulva e região anal. Após estabilização clínica, foi submetida à
vulvectomia. O anatomopatológico confirmou TBL, com áreas de lesão intraepitelial escamosa de alto grau (NIV 2/3),
limites cirúrgicos radiais comprometidos e plano profundo livre. No pós-operatório, manteve seguimento multidisciplinar,
incluindo curativos e sessões de laser para favorecer a cicatrização. Evoluiu bem e recebeu alta sem queixas álgicas.
Retornou à emergência para reinternação programada por pré-eclâmpsia. Na reavaliação, apresentava deiscência
da ferida, sem sinais de infecção, com tecido de granulação bem vascularizado e discreta fibrina. Identificou-se recidiva
precoce de lesões na região vulvar vestibular. A paciente segue em boa evolução clínica, e necessitará de seguimento a
longo prazo para manutenção de tratamentos adjuvantes. Comentários: O TBL é uma manifestação rara e agressiva da
infecção pelo HPV, com maior gravidade em imunossuprimidos. A coinfecção pelo HIV aumenta a extensão, a recorrência
e o risco de malignização das lesões, especialmente em casos de má adesão ou ausência de tratamento antirretroviral.
O tratamento cirúrgico é o padrão, mas frequentemente requer terapias adjuvantes. A laserterapia com CO2 auxilia no
controle de lesões residuais e na cicatrização. Outros recursos descritos incluem o uso de imiquimode tópico, podofilina,
interferon intralesional, além de radioterapia ou quimioterapia em casos de transformação maligna. Este caso reforça a
importância do manejo multidisciplinar e do seguimento rigoroso em pacientes com TBL, sobretudo durante a gestação.