EP28: Angiomixoma agressivo de vulva em paciente atendida em emergência ginecológica de um hospital público: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP28Palavras-chave:
mixoma, vulva, genitalResumo
Introdução: O angiomixoma agressivo (AMA) é uma neoplasia mesenquimal rara, de crescimento lento e comportamento
localmente infiltrativo, que acomete predominantemente mulheres em idade reprodutiva. A localização mais
comum é em vulva, períneo e vagina. Foi descrito pela primeira vez por Steeper e Rosai em 1983. Apesar do nome, o
termo “agressivo” refere-se à elevada capacidade de infiltração local e recorrência, e não à malignidade — já que metástases
são extremamente raras. Clinicamente, costuma se manifestar como uma massa indolor, amolecida e de crescimento
lento, frequentemente confundida com lesões benignas, como cisto de Bartholin, lipomas ou abscessos. Essa semelhança
leva a um alto índice de diagnóstico tardio. Relato de Caso: Paciente feminina, 42 anos, sem comorbidades, primípara,
buscou atendimento na emergência ginecológica do Hospital Fêmina, em Porto Alegre, com queixa de massa vulvar
de crescimento lento e indolor há dois anos. Relatava prejuízo significativo da vida sexual e funcional, além de dor
local. Foi submetida a duas punções sem resolução. Ao exame, apresentava tumoração de aproximadamente 13 cm em
grande lábio esquerdo, amolecida, móvel e sem sinais flogísticos. Após exames de imagem, foi indicada e realizada excisão
cirúrgica, sem intercorrências. A peça era branco-acinzentada, gelatinosa, com áreas de vascularização. Foi deixado
um dreno PortoVac no pós-operatório. A paciente evoluiu bem, com retirada do dreno e alta em 48 horas. O histopatológico
revelou tecido mixoide com vasos de calibres variados e fibras musculares irradiando de suas paredes, com invasão
de tecido adiposo e muscular, compatível com AMA. A lesão comprometia margens radiais. A imunohistoquímica
confirmou o diagnóstico. A paciente optou por não realizar tratamento adjuvante e segue assintomática, sem sinais de
recidiva. Comentários: O AMA é um diagnóstico de difícil reconhecimento clínico, com elevadas taxas de diagnóstico
tardio — a maioria das pacientes se apresenta com tumores volumosos, muitas vezes submetidas previamente a procedimentos
inadequados. O diagnóstico inicial é clínico, mas o definitivo é anatomopatológico, e exames de imagem podem
auxiliar no planejamento cirúrgico. A cirurgia com margens livres é o padrão-ouro, embora nem sempre seja possível
pela natureza infiltrativa e à ausência de cápsula, o que contribui para recorrência de 30 a 72%, mesmo após excisão
ampla. Agonistas de GnRh, raloxifeno ou tamoxifeno podem ser utiizados como terapia adjuvante em casos de doença
residual ou recidiva, embora a resposta varie e haja risco de crescimento tumoral após a suspensão. Radioterapia e quimioterapia
têm papel limitado pela baixa atividade mitótica do tumor. O seguimento deve ser prolongado, idealmente
com imagem por ressonância magnética, dada a possibilidade de recidivas tardias. Este caso reforça a importância de
considerar o AMA no diagnóstico diferencial de massas vulvares atípicas.