EP31: Panorama do uso de imunoterápicos para o tratamento de câncer do colo do útero: uma revisão de literatura

Autores

  • Julliete Cristina de Oliveira
  • Maria Eduarda Sousa Vanderley
  • Renata Rodrigues Lima
  • Isadora Ferreira Santos
  • Werbene Caroline de Queiroz Gomes
  • Isabella Magalhães Assub Carvalho
  • Isabelle Francesca Borges Soares

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP31

Palavras-chave:

neoplasias do colo do útero, imunoterapia, anticorpos monoclonais

Resumo

Introdução: O câncer do colo do útero é o terceiro mais prevalente entre a população feminina brasileira, ocupando o
quarto lugar em taxa de mortalidade. Classicamente, o tratamento da doença localmente avançada baseia-se na abordagem
cirúrgica e na quimiorradioterapia (QRT). Contudo, recentemente, o desenvolvimento das imunoterapias oncológicas
expandiu as possibilidades terapêuticas para essa neoplasia, que representa um relevante problema de saúde pública,
principalmente nos estados brasileiros com menor índice de desenvolvimento humano. Objetivos: Verificar o panorama
de aplicação das imunoterapias para o tratamento de câncer do colo do útero. Métodos: Trata-se de uma revisão
da literatura realizada nas bases de dados SciELO, PubMed e Scopus, utilizando os descritores DeCS/MeSH “Uterine
Cervical Neoplasms” e “Immunotherapy”. Foram selecionados artigos publicados entre 2014 e 2025, no idioma inglês.
Resultados: De acordo com a literatura atual, o imunoterápico mais estudado e atualmente empregado no tratamento
do câncer do colo do útero é o pembrolizumabe. Trata-se de um anticorpo monoclonal que inibe a via de sinalização
PD-1/PD-L1 (anti-PD-1), potencializando o ataque imunológico do organismo contra as células tumorais. O ensaio
clínico de fase III KEYNOTE-A18 demonstrou que o uso de pembrolizumabe em combinação com QRT resultou em
melhorias estatística e clinicamente significativas na sobrevida de pacientes com carcinoma do colo do útero localmente
avançado, em comparação ao uso de placebo associado à QRT. O grupo tratado com o imunoterápico apresentou redução
de 30% no risco de progressão da doença ou morte. Além do pembrolizumabe, o bevacizumabe — imunoterápico
inibidor da angiogênese — associado ao paclitaxel e à cisplatina é empregado no tratamento do câncer cervical persistente,
recorrente ou metastático. Já pacientes com doença recidivante após radioquimioterapia (RQT) ou RQT associada
as bevacizumabe podem se beneficiar do conjugado anticorpo-droga tisotumabe vedotina, uma vez que, conforme
o ensaio clínico de fase III innovaTV 301, a monoterapia com essa droga reduziu em 30% o risco de morte em comparação
à quimioterapia isolada. Conclusão: A incorporação das imunoterapias ao tratamento do câncer do colo do útero
representa um avanço promissor no enfrentamento dessa importante neoplasia ginecológica. Seguindo os passos da
Food and Drug Administration (FDA), em maio de 2024 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou
o uso de pembrolizumabe para o tratamento de câncer do colo do útero em estádio FIGO 2014 III-IVA. Esses achados
reforçam o potencial transformador da imunoterapia no cenário onco-ginecológico e evidenciam a necessidade de
ampliar o acesso a essas estratégias no Sistema Único de Saúde, especialmente em regiões de menor desenvolvimento
socioeconômico, onde o câncer cervical ainda está associado a elevada morbimortalidade.

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Publicado

2026-03-10

Como Citar

1.
Oliveira JC de, Vanderley MES, Lima RR, Santos IF, Gomes WC de Q, Carvalho IMA, et al. EP31: Panorama do uso de imunoterápicos para o tratamento de câncer do colo do útero: uma revisão de literatura. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 10º de março de 2026 [citado 29º de agosto de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/198

Edição

Seção

Apresentação em Posteres