EP32: Leiomioma do colo do útero mimetizando tumor de bainha neural: um relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP32Palavras-chave:
mioma, genital, tumorResumo
Introdução: O schwannoma primário de colo uterino é uma neoplasia frequentemente benigna, originada na bainha
nervosa dos nervos periféricos, havendo apenas 19 casos relatados na literatura até o momento. Clinicamente, apresenta-
se com lesão nodular solitária, normalmente assintomática, até que seu crescimento afete órgãos adjacentes. Comumente,
o diagnóstico clínico e patológico é confundido com o de outras neoplasias mais frequentes na cérvice uterina,
sendo imprescindível o uso de técnicas complementares para a definição diagnóstica. Relato de Caso: Paciente de 47
anos, com menopausa aos 44, encaminhada a hospital terciário por apresentar nódulo em colo do útero, assintomática.
À colposcopia, observou-se lesão nodular bem vascularizada, de consistência endurecida, localizada no lábio posterior
do colo, medindo aproximadamente 2 cm de diâmetro, com mobilização do colo para a direita. O exame ultrassonográfico
transvaginal evidenciou nódulo hipoecogênico no colo, medindo 1,9x1,2 cm. A paciente foi submetida à conização
de colo uterino por cirurgia de alta frequência (CAF), sendo ressecado fragmento de 2,8x2,4x2,0 cm, com nodulação
bem delimitada, parda-acinzentada, medindo 1,8x1,6 cm ao exame macroscópico. O laudo histopatológico concluiu
tratar-se de um schwannoma, com margem cirúrgica radial coincidente. Um ano após a CAF, a paciente foi submetida
à histerectomia total, cujo estudo anatomopatológico da cérvice revelou proliferação fusocelular benigna com características
neurais. O exame imuno-histoquímico (IHQ) evidenciou ausência de sinais de schwannoma ou outra neoplasia
no material examinado. Para elucidação diagnóstica, foi solicitada revisão do exame histopatológico da lesão ressecada
pela CAF, que demonstrou aspectos morfológicos compatíveis com leiomioma, apresentando áreas com morfologia neural.
O fragmento foi submetido novamente à IHQ, que mostrou positividade para actina de músculo liso (tipos 1 a 4)
e negatividade para o marcador de tecido neural (S100). Associando-se os achados morfológicos e imuno-histoquímicos,
concluiu-se tratar-se de leiomioma cervical, em detrimento da hipótese de schwannoma. Comentários: O presente
relato evidencia a complexidade do diagnóstico clínico e histopatológico das lesões do colo do útero, visto que mesmo
lesões típicas dessa região podem apresentar variações morfológicas que dificultam a definição diagnóstica. Nesse sentido,
a imunohistoquímica mostra-se uma ferramenta essencial para o diagnóstico preciso das lesões cervicais.