EP33: Vaginose bacteriana e inserção do dispositivo intrauterino: há evidências para o rastreamento prévio?

Autores

  • Danilo Bento Diôgo
  • Caroline Alves de Oliveira Martins
  • Sarah Portugal da Fonseca
  • Isabel Cristina Chulvis do Val Guimarães
  • Susana Cristina Aide Viviani Fialho
  • Luis Guillermo Coca Velarde
  • Karine Mello Duvivier

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP33

Palavras-chave:

dispositivo intrauterino, vaginite, Candida

Resumo

Introdução: Vaginose bacteriana (VB) é uma disbiose comum, associada a complicações ginecológicas e obstétricas, além
de maior risco de VB após a inserção de dispositivo intrauterino (DIU). No entanto, o benefício do rastreamento prévio
é controverso. Objetivo: Realizar uma revisão da literatura sobre o impacto do rastreamento da VB na ocorrência de
complicações após a inserção de DIU. Material e Métodos: Foram utilizadas as bases eletrônicas PubMed, SciELO e
Lilacs, sem aplicação de filtros temporais ou de idioma. Excluíram-se trabalhos de literatura cinzenta e relatos de casos.
Utilizaram-se descritores MeSH/DeCS e termos livres relacionados à VB, DIUs, avaliação pré-inserção e rastreamento.
Após a remoção das duplicatas, foram identificados 43 resultados: PubMed (39), LILACS (6) e SciELO (1), sendo seis
incluídos. Resultados: O estudo brasileiro conduzido por Lago et al. (2000) avaliou 233 mulheres quanto à presença
de infecções vulvovaginais um mês após a inserção do DIU de cobre. Foram realizados testes para VB, Chlamydia trachomatis
(CT) e candidíase, sendo a VB a infecção mais prevalente (19,7%), seguida por candidíase (5,4%) e CT (4%).
Das 145 mulheres que retornaram após seis meses, não houve diferença significativa na ocorrência de novas infecções
entre aquelas com e sem VB. No entanto, observou-se tendência a maior infecção por clamídia entre as mulheres com
VB (p=0,066), além de maior frequência de dismenorreia nesse grupo (p=0,03). Como limitação do estudo, o diagnóstico
não foi realizado previamente à inserção do DIU. Donders et al. (2018) avaliaram a influência do DIU de levonorgestrel
na flora vaginal de 252 mulheres, após três meses e após um a cinco anos. A inserção do DIU foi associada à depleção
de Lactobacillus, aumento de VB e vaginite aeróbica após três meses. Contudo, a longo prazo, observou-se retorno aos
níveis pré-DIU. A colonização por Candida sp. apresentou chance até duas vezes maior após um ano. Em um estudo
nigeriano com 360 mulheres, a prevalência de VB caiu de 33,3 para 17,9% um mês após a inserção do DIU. Das 133
que realizaram consulta de acompanhamento, 23,9% relataram complicações clínicas, mais frequentes entre aquelas com
VB (30,5%) em comparação às sem VB (22,5%), embora sem significância estatística. A principal queixa foi dor pélvica
intensa, também mais comum nas BV-positivas (20,3 vs. 13,7%). Um estudo de coorte observacional conduzido
por Alice et al. (2012), avaliando 78 mulheres submetidas à inserção de DIU com rastreamento pelo escore de Nugent,
identificou apenas cinco casos positivos, sem associação significativa com desfechos negativos. Conclusões: Os manuais
clínicos não recomendam o rastreamento rotineiro de VB antes da inserção do DIU, e esta revisão corrobora essa prática.
No entanto, o número de estudos disponíveis é reduzido e heterogêneo, com apenas uma publicação nos últimos
anos, o que indica a necessidade de novas pesquisas sobre o tema.

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Publicado

2026-03-10

Como Citar

1.
Diôgo DB, Martins CA de O, Fonseca SP da, Guimarães ICC do V, Viviani Fialho SCA, Velarde LGC, et al. EP33: Vaginose bacteriana e inserção do dispositivo intrauterino: há evidências para o rastreamento prévio?. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 10º de março de 2026 [citado 15º de maio de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/200

Edição

Seção

Apresentação em Posteres