EP35: Perfil clínico e epidemiológico da lesão intraepitelial de alto grau cervical em um hospital universitário ao longo de 10 anos
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP35Palavras-chave:
lesão intraepitelial de alto grau, câncerResumo
Introdução: O câncer do colo do útero é o terceiro tipo de neoplasia mais incidente entre as mulheres no Brasil, apresentando
uma mortalidade de 15,4%. A fisiopatologia da doença está intrinsecamente relacionada à infecção persistente
pelo Papilomavírus Humano (HPV) de alto risco oncogênico. Apesar dessa estatística preocupante, o rastreamento de
lesões pré-invasivas reduz significativamente o risco de progressão neoplásica. A acurácia do exame colpocitológico apresenta
variações relevantes, por ser dependente do examinador e suscetível a vieses na coleta. Diante disso, destaca-se a
importância do delineamento do perfil de pacientes com alterações colpocitológicas, correlacionando-o aos fatores de
risco para infecção persistente pelo HPV, bem como à taxa de confirmação histopatológica e aos fatores que influenciam
a sensibilidade do teste, possibilitando uma análise estruturada do diagnóstico e do risco de desenvolvimento de
câncer do colo do útero. Objetivo: Analisar o perfil de pacientes com lesão intraepitelial de alto grau (HSIL) entre os
anos de 2010 e 2020, bem como as variáveis de risco associadas. Além disso, verificar a taxa da confirmação histopatológica
do HSIL em exames citopatológicos alterados. Materiais e Método: Estudo observacional, transversal retrospectivo,
abrangendo o período de 10 anos, com base em prontuários de pacientes do Hospital Universitário Antônio Pedro
que apresentaram diagnóstico citopatológico de HSIL. O critério de exclusão adotado foi a ausência de registro e/ou
de confirmação histopatológica. Os dados foram compilados em planilha do Google Sheets e analisados no programa R,
em sua versão online e gratuita. O índice de confirmação histopatológica foi comparado aos valores apresentados pelo
Ministério da Saúde, utilizando teste de hipótese unilateral com significância estatística de 5%. Resultados: Foram
analisados 50 exames colpocitológicos com resultado de HSIL. Em 82% dos casos houve confirmação histológica de
neoplasia intraepitelial cervical 2+ (39 casos de NIC 2/3 e 2 casos de neoplasia intraepitelial vaginal 2/3) e, em 4%, foi
confirmado carcinoma invasor (2 casos). Não houve diferença com significância estatística em relação aos valores descritos
para a população geral segundo dados do Ministério da Saúde. A média de idade foi de 45,4 anos, o número médio
de gestações foi de 3,4, idade média da sexarca foi de 17 anos e 38% das pacientes eram fumantes. Conclusão: O perfil
das pacientes com HSIL condiz com o descrito na literatura, reforçando a associação entre número elevado de gestações,
tabagismo, múltiplos parceiros e início precoce da vida sexual como fatores de risco para a infecção persistente pelo
HPV e, consequentemente, para o desenvolvimento de neoplasias do colo do útero. Estudos posteriores são necessários
para avaliar com maior profundidade o perfil das pacientes atendidas em hospitais universitários.