EP37: Câncer de colo invasor em mulher jovem – mito ou realidade: relato de caso

Autores

  • Patricia Leite Brito
  • Maria Fernanda Abrahim de Souza
  • Bernardo Silva Viana
  • Vinícius Leír Bastos Freitas
  • Adriane Vinhote Viana Charlete

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP37

Palavras-chave:

gestante, câncer, colo do útero

Resumo

Introdução: O câncer do colo do útero no Brasil ainda representa um grande desafio para a saúde pública, abrangendo
dificuldades no rastreamento, no acesso ao diagnóstico e no tratamento oportuno. Na Região Norte, esse desafio é ainda
maior, considerando-se as características geográficas, socioeconômicas e culturais. Fatores limitadores, como a idade de
início do rastreamento, a ausência de especialistas e a centralização dos centros de diagnóstico e tratamento em regiões
de difícil acesso, podem contribuir para o diagnóstico tardio da doença, elevando a taxa de mortalidade. Objetivo: Descrever
a realidade da dificuldade de acesso, informação e tratamento oportuno de mulheres de áreas desfavorecidas —
neste caso, de uma mulher dentro da faixa etária preconizada para rastreamento — por meio da apresentação de um
relato de caso. Relato de Caso: F.P.T., 29 anos, G7P7 (6N1C) A0, casada, parda, sexarca aos 13 anos, primeiro parto
aos 15 anos, sem uso prévio de método contraceptivo, procedente de área rural do interior do estado. Com idade gestacional
de 32 semanas, havia realizado apenas duas consultas de pré-natal e foi encaminhada à capital devido a sangramento
vaginal moderado e ameaça de parto prematuro. O exame físico realizado na maternidade terciária evidenciou
massa de consistência sólida, irregular e endurecida, ocupando colo e paredes vaginais. Ao exame especular, visualizou-
-se lesão exofítica, friável e extensa. Foi realizada biópsia com pinça saca-bocada, envida para avaliação histopatológica.
A paciente foi internada e indicada a interrupção da gestação após uso do corticoide. O recém-nascido (RN) foi encaminhado
à unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal. A paciente apresentou sangramento intenso após o procedimento,
sendo necessária transfusão de dois concentrados de hemácias e permanência em UTI materna por três dias. Evoluiu de
forma estável em enfermaria, aguardando a alta do RN da UTI e o resultado histopatológico, que confirmou diagnóstico
de carcinoma escamoso invasor moderadamente diferenciado. Foi então encaminhada para serviço especializado.
Comentários: Este caso evidenciou a má distribuição dos fluxos de rastreamento e diagnóstico em populações vulneráveis,
como as mulheres ribeirinhas. Torna-se, portanto, necessária a reflexão e reestruturação das políticas públicas,
visando ampliar o acesso ao rastreamento e ao diagnóstico efetivo, além de promover a descentralização do tratamento
das lesões precursoras. Tais medidas podem modificar a realidade dessas mulheres, frequentemente invisibilizadas pelos
protocolos atuais, mas que representam a realidade da região Amazônica.

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Publicado

2026-03-10

Como Citar

1.
Brito PL, Souza MFA de, Viana BS, Freitas VLB, Charlete AVV. EP37: Câncer de colo invasor em mulher jovem – mito ou realidade: relato de caso. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 10º de março de 2026 [citado 29º de agosto de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/204

Edição

Seção

Apresentação em Posteres