EP42: Panorama diagnóstico e terapêutico do câncer do colo do útero no Amazonas: o impacto na mortalidade feminina na última década
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP42Palavras-chave:
neoplasias do colo do útero, câncer de colo, mortalidadeResumo
Introdução: A região Norte do Brasil apresenta elevada taxa de mortalidade por neoplasia do colo do útero, sendo o
estado do Amazonas (AM) o segundo com maior incidência de óbitos, o que torna a doença um grave problema de
saúde pública. Dessa forma, verificar a eficácia das estratégias de diagnóstico e tratamento precoce constitui um dever
e um grande desafio na região. O presente estudo propõe analisar o panorama do diagnóstico, tratamento e impacto na
mortalidade no AM, no período de 2015 a 2024. Objetivo: Analisar aspectos do diagnóstico e o tempo até o tratamento
do câncer do colo do útero nos últimos 10 anos no estado do Amazonas, bem como seu impacto na taxa de mortalidade.
Material e Métodos: Estudo descritivo, retrospectivo e transversal, realizado com dados secundários extraídos do Painel
Oncologia-Brasil e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), disponíveis no Departamento de Informação
e Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Para diagnóstico e tratamento, as variáveis pesquisadas
foram município de residência, estadiamento, faixa etária e tempo até o tratamento, no período de 2015 a 2024 (parcial).
Para mortalidade, as variáveis foram óbitos por ocorrência e causa CID-BR-10 de neoplasia maligna do colo do útero,
no período 2013 a 2022, no AM. Os dados obtidos foram analisados por meio de estatística descritiva. Resultados: No
AM, entre 2015 e 2024, ocorreram 3.739 casos de câncer do colo do útero. Desses, 1.532 (40,9%) foram diagnosticados
em estágio II, 958 (25,6%) em estágio III, 316 (8,4%) em estágio IV e 69 (1,8%) em estágio I. Quanto à faixa etária,
54,2% de todos os casos foram diagnosticados entre 35 e 54 anos, sendo a maioria entre 40 e 44 anos, com 591 casos
(15,8%), seguida de 35 a 39 anos, com 509 (13,5%), 45 a 49 anos, com 473 (12,6%), e 50 a 54 anos, com 454 (12,1%).
Quanto ao tempo até o tratamento, 2.592 (69,32%) pacientes iniciaram o tratamento após 60 dias, 520 (13,9%) em
até 30 dias e 308 (8,23%) entre 31 e 60 dias. Ocorreram 2.217 óbitos pela doença entre 2015 e 2022, sendo 535 casos
(24,1%) na faixa de 40 a 49 anos, 498 (22,4%) entre 50 e 59 anos, 373 (16,8%) entre 60 e 69 anos e 322 (14,5%) entre
30 e 39 anos. Conclusão: O diagnóstico em estágios avançados, dentro da faixa etária coberta pelo rastreamento, indica
a necessidade de avaliar a qualidade, a abrangência e a efetividade do método. Observa-se que 70% das pacientes aguardam
mais de dois meses para iniciar o tratamento, o que reflete dificuldades de cobertura e logística, além da influência
de aspectos socioeconômicos e geográficos da região na assistência à saúde dessa população. Diante disso, é notório que
o diagnóstico tardio e a demora no tratamento contribuem para o elevado índice de mortalidade pela doença no estado.