EP44: Abordagem terapêutica do condiloma acuminado em gestante com lesões extensas: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP44Palavras-chave:
gestante, condiloma, Papilomavírus HumanoResumo
O condiloma acuminado é uma neoplasia benigna do trato genital causada principalmente pela infecção pelos tipos
6 e 11 do Papilomavírus Humano (HPV). Sua maior incidência ocorre em indivíduos entre 25 e 34 anos, faixa etária
correspondente ao período fértil, o que favorece a manifestação da doença durante a gestação. Este período é caracterizado
por uma leve imunossupressão, que pode intensificar as manifestações do HPV, resultando em crescimento acelerado
dos condilomas genitais. Em alguns casos, a remoção das lesões durante a gestação torna-se necessária, sendo
geralmente indicada após o primeiro trimestre. Relata-se o caso de uma paciente de 32 anos, G2P1, com 17 semanas de
gestação, encaminhada para avaliação no ambulatório de patologia do trato genital inferior do Hospital de Clínicas da
Universidade Federal do Paraná, em maio de 2025, devido à citologia oncótica de dezembro de 2022 que evidenciava
lesão de baixo grau e lesões condilomatosas na vulva e na aréola da mama direita. A paciente referia o aparecimento das
lesões condilomatosas há cerca de 12 meses, com piora desde o início da gestação. Como antecendente, relatou lesões
condilomatosas vulvares em gestação anterior, em 2013, tratadas com eletrocauterização em centro cirúrgico. No exame
físico, observou-se lesão condilomatosa na aréola da mama direita e condilomatose vulvar extensa, bilateral, estendendo-
se até a região perianal, com preservação da região interglútea. Inicialmente, foi indicada vaporização com laser de
CO2, com o intuito de minimizar a transmissibilidade e o crescimento dos condilomas. Após anestesia tópica, foram
removidas as lesões presentes em hemivulva, região glútea e capuz do clitóris, e o material foi encaminhado para exame
anatomopatológico, que confirmou o diagnóstico clínico. Devido à extensão das lesões e à baixa tolerância da paciente
ao procedimento realizado apenas com bloqueio anestésico local, optou-se por complementar o tratamento em centro
cirúrgico sob raquianestesia, utilizando ponta cautério microagulha para excisão e cautério simples para fulguração das
lesões não removidas. A paciente permaneceu internada por 12 horas e, no pós-operatório, foram prescritos analgésicos
simples via oral, banhos de assento duas vezes ao dia com iodo diluído em água morna, além de orientações sobre
higiene local. O condiloma acuminado durante a gestação requer acompanhamento rigoroso e avaliação cuidadosa para
assegurar o diagnóstico correto e a indicação adequada do tratamento, além de seguimento contínuo. Entre as opções
terapêuticas para lesões extensas, destacam-se a remoção por cauterização em centro cirúrgico e o uso do laser de CO2,
técnicas eficazes e seguras para o controle das lesões, inclusive em pacientes gestantes. A escolha do método deve considerar
a extensão das lesões, a tolerância da paciente ao procedimento e a idade gestacional, visando sempre à segurança
materna e fetal.