EP45: Reconstrução cirúrgica de canal vaginal em paciente com estenose completa idiopática: relato de caso

Autores

  • Luiza Maria Suter Correia Cadena
  • Bruna Letícia Souza Taveira
  • Ana Luiza Mendonça Fontes
  • Mariana Barbosa Carvalho
  • Maria Isabel Lavoranti
  • Rita Maira Zanine

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP45

Palavras-chave:

vagina, líquen, tratamento

Resumo

A estenose de canal vaginal se define como o estreitamento ou encurtamento da vagina. Trata-se de um efeito colateral
comum de procedimentos cirúrgicos, como rádio ou braquiterapia pélvica, e também pode ocorrer como manifestação
clínica do líquen plano. Entretanto, em alguns casos raros, pode surgir espontaneamente, sem causa aparente, exigindo
atenção clínica e abordagem adequada por parte da equipe de saúde. Paciente de 53 anos, G2C2, encaminhada ao ambulatório
de patologia do trato genital inferior do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná devido à estenose
completa do canal vaginal de etiologia desconhecida. Como comorbidade, referia cardiopatia congênita. De antecedentes
ginecológicos, relatava inserção de dispositivo intrauterino (DIU) há sete anos e histórico de cauterização
como tentativa de lise de sinéquia vaginal em 2023, em serviço externo. No exame físico, observou-se arquitetura vulvar
preservada, com presença de estenose importante da vagina. O procedimento de abertura do canal vaginal foi realizado
em centro cirúrgico, em dezembro de 2024, obtendo-se recanalização de aproximadamente 10 cm de comprimento.
Foi também realizada biópsia de introito vulvar, cujo exame anatomopatológico revelou mucosa escamosa com discreto
infiltrado inflamatório linfocitário superficial e edema do córion, excluído, portanto, a hipótese de líquen plano. No pós-
-operatório imediato, foi inserido molde vaginal, mantido por 48 horas, e prescrita hidrocortisona intravaginal na dose
de 5 g/dia, com desmame gradual até a dose de manutenção de 100mg por semana, associada a estriol 1 mg/g a cada
três dias. A paciente mantém acompanhamento com fisioterapia pélvica, uso diário de dilatador vaginal e permanece
em seguimento ambulatorial. A estenose vaginal, embora frequentemente associada a tratamentos oncológicos pélvicos
e ao líquen plano, também pode ocorrer sem causa aparente, como demonstrado neste caso. A abordagem cirúrgica foi
fundamental para a reconstrução anatômica do canal vaginal. O sucesso do tratamento depende do seguimento multidisciplinar,
com ginecologista e fisioterapeuta, além do uso adequado de corticosteroide tópico e dilatadores vaginais,
visando à manutenção da funcionalidade da vagina e à prevenção de recorrências. Este relato destaca a importância da
suspeição clínica, mesmo na ausência de fatores de risco evidentes, e reforça a necessidade de seguimento adequado em
casos de estenose vaginal.

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Publicado

2026-03-11

Como Citar

1.
Cadena LMSC, Taveira BLS, Fontes ALM, Carvalho MB, Lavoranti MI, Zanine RM. EP45: Reconstrução cirúrgica de canal vaginal em paciente com estenose completa idiopática: relato de caso. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 11º de março de 2026 [citado 17º de maio de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/212

Edição

Seção

Apresentação em Posteres