EP47: Uso da imunoterapia no tratamento da candidíase vulvovaginal recorrente: revisão de literatura (2015–2025)
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP47Palavras-chave:
vaginite, Candida, imunoterapiaResumo
Introdução: A candidíase vulvovaginal recorrente (CVVR), causada principalmente por Candida albicans, é definida
pela ocorrência de três ou mais episódios por ano. Afeta cerca de 138 milhões de mulheres anualmente, com pico entre
25 e 34 anos. Fatores como uso de antibióticos, níveis elevados de estrogênio, diabetes, duchas vaginais e atividade sexual
estão associados ao quadro, que se manifesta com prurido, corrimento espesso, dor e dispareunia. Diante da crescente
resistência aos antifúngicos azólicos, a imunoterapia surge como alternativa promissora, com destaque para vacinas como
a NDV-3A, que modulam a resposta imune local sem eliminar diretamente o fungo, e a combinação MV140/V132,
ainda em investigação. Objetivo: Avaliar a eficácia da imunoterapia como abordagem terapêutica alternativa no tratamento
da CVVR. Materiais e Métodos: A revisão foi realizada na base PubMed com duas estratégias de busca. A primeira
utilizou os descritores “immunotherapy” e “Candidiasis, Vulvovaginal”, filtrando publicações entre 2015 e 2025,
resultando em oito artigos, dos quais seis foram incluídos. A segunda estratégia empregou os termos “immunotherapy”
e “candidiasis”, com filtros para os últimos dez anos, idioma inglês, espécie humana e adultos, resultando em 34 artigos;
após triagem, dois foram incluídos. No total, oito artigos compuseram a análise. Resultados: A vacina experimental
NDV-3A, em estudo com 188 mulheres, demonstrou que uma única dose intramuscular levou à ativação do sistema
imune, com 42% das vacinadas permanecendo livres de sintomas por 12 meses, em comparação a 22% no grupo placebo
(P = 0,03), além de dobrar o tempo até a recidiva, especialmente em mulheres abaixo dos 40 anos. A vacina PEV7
(virossomal com Sap2) induziu memória funcional de células B e resposta imune cervicovaginal após dose de reforço.
A V132, ainda em estudo, utiliza proteínas específicas de C. albicans para estimular imunidade local. A MV140, embora
inicialmente voltada para infecções urinárias, tem sido testada em CVVR devido ao seu efeito imunomodulador. Estudos
pré-clínicos e clínicos demonstraram que essas vacinas promovem respostas imunes duradouras, reduzem recidivas e
aceleram a eliminação do fungo, especialmente com o uso de adjuvantes como a toxina colérica. Antígenos como Sap2,
β-manano, MP65, Hyr1 e Als3 apresentam-se como promissores alvos vacinais. Conclusão: A imunoterapia representa
uma alternativa eficaz para o manejo da CVVR. Vacinas como NDV-3A, MV140/V132 e peptídeos antifúngicos, como
as lasioglossinas, oferecem benefícios terapêuticos e preventivos. Diante das limitações dos antifúngicos convencionais,
essas estratégias contribuem para a redução das recidivas e o fortalecimento da resposta imune, configurando um avanço
importante no controle das infecções fúngicas geniturinárias.