EP48: Dermatite atópica com manifestação vulvar refratária a tratamento em criança: um relato de caso

Autores

  • Carolina Matias Bauer
  • Julia Espolador Bianchi
  • Eveline Xavier Pereira de Souza
  • Ana Carolina Silva Chuery
  • Neila Maria de Góis Speck

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP48

Palavras-chave:

criança, dermatite, líquen

Resumo

Introdução: A dermatite atópica (DA) é uma dermatose inflamatória crônica e multifatorial, caracterizada por disfunção
da barreira cutânea, resposta imune predominantemente Th2, prurido intenso e recorrência de lesões eczematosas.
A vulva infantil apresenta maior suscetibilidade a essas alterações devido ao epitélio mais fino, maior perda transepidérmica
de água, pH cutâneo mais alcalino, ausência de lactobacilos produtores de ácido lático e baixos níveis de estrogênio,
o que resulta em menor hidratação e integridade da mucosa vulvovaginal. O tratamento da DA vulvar em crianças
é multifatorial e visa controlar o prurido, eliminar irritantes e restaurar a barreira cutânea. Corticoides tópicos de baixa
potência são frequentemente utilizados; contudo, inibidores da calcineurina, como o pimecrolimus, representam alternativa
eficaz especialmente nos casos de recidiva ou necessidade de tratamento prolongado. Anti-histamínicos sedativos
também podem ser úteis no controle do prurido noturno. Relato de Caso: Menina de 4 anos foi encaminhada ao ambulatório
do Núcleo de Prevenção de Doenças Ginecológicas (NUPREV) do Hospital São Paulo em novembro de 2024,
com queixa de prurido vulvar associado à presença de úlceras genitais. Já possuía histórico de dermatite de contato alérgica,
com patch test pediátrico positivo para dicromato de potássio. Havia sido tratada previamente com hidrocortisona,
clobetasona e clotrimazol tópicos, além de medidas comportamentais, com melhora das lesões extragenitais, porém com
manutenção das lesões na região genital. Ao exame, apresentava placas eczematosas em grandes lábios bilateralmente, raiz
de coxas e região perianal. Iniciou-se tratamento com metilprednisolona 1 mg/g. Apesar da melhora clínica, a paciente
apresentou recorrência das lesões a cada tentativa de desmame do corticoide. Diante da liquenificação e persistência das
lesões, foi iniciada terapia com pimecrolimus creme, visando reduzir a dependência do corticoide tópico. Comentários:
A anatomia e a fisiologia da vulva infantil predispõem a maior fragilidade da barreira cutâneo-mucosa, contribuindo
para a cronicidade e a recidiva das lesões eczematosas. Além disso, a localização das lesões em áreas expostas à fricção,
suor e urina, como descrito por Pichardo Geisinger (2017), agrava a condição clínica. O tratamento inicial com corticosteroides
tópicos foi eficaz na fase aguda, mas a dificuldade em suspender a medicação demonstrou a necessidade
de alternativas terapêuticas de manutenção. O uso de pimecrolimus, inibidor da calcineurina, mostrou-se apropriado
diante da necessidade de controle prolongado, com menor risco de efeitos colaterais em longo prazo. O caso ilustra os
desafios diagnósticos e terapêuticos no manejo do prurido vulvar em meninas com DA associada à dermatite de contato
alérgica, ressaltando a importância de uma abordagem individualizada e contínua para o controle efetivo da doença.

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Publicado

2026-03-11

Como Citar

1.
Bauer CM, Bianchi JE, Souza EXP de, Chuery ACS, Speck NM de G. EP48: Dermatite atópica com manifestação vulvar refratária a tratamento em criança: um relato de caso. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 11º de março de 2026 [citado 29º de agosto de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/215

Edição

Seção

Apresentação em Posteres