EP49: Vaginose citolítica em gestante portadora de diabetes mellitus tipo 2: um relato de caso

Autores

  • Anna Luiza Gonzaga Silva de Castro
  • Lívia Monique Maurício de Paiva

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP49

Palavras-chave:

gestante, diabetes, vaginite

Resumo

Introdução: A vaginose citolítica (VC) é uma condição ginecológica caracteriza pela presença de corrimento vaginal
associado a pH entre 3,5 e 4,5, excesso de lactobacilos e citólise, sem presença de infiltrado inflamatório ou outras condições
associadas. Frequentemente assintomática, pode cursar com sintomas semelhantes aos da candidíase vulvovaginal
(CVV). Gestantes, por estarem sob forte influência estrogênica, apresentam acúmulo de glicogênio — substrato
para proliferação excessiva de lactobacilos —, o que resulta em maior produção de ácido lático; essa acidez pode precipitar
a lise celular. Relato de Caso: G4PC1A2, 32 anos, no curso da 24ª semanas de sua quarta gestação, portadora
de diabetes mellitus tipo 2 (DM2), foi interna em enfermaria por descompensação da doença. Evoluiu com queixa de
corrimento vaginal com prurido vulvar. Ao exame especular, observou-se secreção grumosa, esbranquiçada e inodora,
com leve hiperemia vulvar. Instituiu-se empiricamente tratamento para CVV com Miconazol creme 20 mg/g por sete
noites consecutivas. Após 15 dias do término do tratamento, a paciente retornou com queixa de prurido Vulvar, porém
sem alterações ao exame especular. A microscopia do conteúdo vaginal, após coloração por Gram, evidenciou ausência
de morfotipos fúngicos compatíveis com CVV, acentuada citólise, núcleos desnudos e excesso de lactobacilos. Não foi
possível a realização do exame a fresco e a aferição do pH vaginal por indisponibilidade. O tratamento deve ser instituído
apenas em pacientes sintomáticas (irrigação vaginal com bicarbonato de sódio). Em gestantes, reforçam-se medidas
comportamentais de higiene, visto que o uso do bicarbonato ainda não apresenta evidências suficientes de segurança.
Comentários: O presente relato de caso tem como objetivo demonstrar que o diagnóstico da vaginose citolítica pode
ser facilmente confundido com CVV quando apenas os aspectos clínicos são considerados. Além disso, busca fomentar
o treinamento para o uso da microscopia do conteúdo vaginal na propedêutica ginecológica, especialmente entre médicos
residentes de ginecologia e obstetrícia da Maternidade Escola Santa Mônica.

Downloads

Publicado

2026-03-11

Como Citar

1.
Castro ALGS de, Paiva LMM de. EP49: Vaginose citolítica em gestante portadora de diabetes mellitus tipo 2: um relato de caso. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 11º de março de 2026 [citado 3º de maio de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/216

Edição

Seção

Apresentação em Posteres