EP50: Atraso diagnóstico em doença de Paget vulvar: um alerta para a necessidade de biópsia precoce em lesões vulvares persistentes – um relato de caso

Autores

  • Valentina Solak
  • Valentina Solak
  • Nayara Vilas Novas Greselle
  • Monica Valéria Virtuan
  • Edson Felipe Delfrate
  • Ana Ximena Zunino

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP50

Palavras-chave:

doença de Paget, vulva, biópsia

Resumo

Introdução: A Doença de Paget Vulvar (DPV) é uma neoplasia intraepitelial rara e desafiadora, responsável por aproximadamente
1% das neoplasias malignas da vulva. O diagnóstico costuma ser tardio devido à apresentação clínica inespecífica
e à semelhança com dermatoses inflamatórias benignas, o que leva a tratamentos ineficazes e à progressão da
condição. Este relato de caso teve como objetivo ilustrar as dificuldades diagnósticas da DPV não invasiva em paciente
idosa, ressaltando a importância da biópsia precoce diante de lesões vulvares persistentes e refratárias a terapias conservadoras.
Relato do Caso: Paciente feminina, 74 anos, G3P3, menopausada aos 45 anos, sem comorbidades relevantes.
Submetida a histerectomia total abdominal aos 50 anos por sangramento uterino anormal. Procurou atendimento
devido a prurido, ardência e edema em grandes lábios, com evolução de aproximadamente um ano. Havia sido submetida
previamente a múltiplos tratamentos tópicos para dermatoses vulvares (incluindo antifúngicos), sem resposta clínica.
Ao exame físico, observou-se espessamento com placa esbranquiçada no grande lábio direito, circundada por halo
de hiperemia e edema. Diante da suspeita de líquen escleroso atrófico, foi instituída prova terapêutica com propionato
de clobetasol tópico por 15 dias, sem melhora significativa. Devido à refratariedade da lesão e ao aspecto sugestivo de
malignidade, optou-se pela realização de biópsia por punch. O exame anatomopatológico, complementado pela imuno-
-histoquímica, confirmou o diagnóstico de Doença de Paget extramamária vulvar não invasiva. O estadiamento oncológico
subsequente, por meio de exames de imagem e avaliação clínica, evidenciou ausência de invasão dérmica e de neoplasias
associadas. O tratamento definitivo indicado foi hemivulvectomia com margens livres. Comentários: A DPV é
notória por sua apresentação clínica inespecífica, frequentemente confundindo-se com quadros inflamatórios crônicos,
como líquen escleroso, candidíase ou eczema. Essa semelhança constitui a principal causa do atraso diagnóstico, como
observado neste caso. O presente relato enfatiza que a biópsia não deve ser postergada em lesões vulvares persistentes e
refratárias ao tratamento conservador, especialmente em pacientes idosas, sendo o método diagnóstico definitivo para
diferenciar a DPV de condições benignas e possibilitar intervenção precoce. Embora a DPV não invasiva apresente
bom prognóstico quando localizada, a alta taxa de recorrência local (variando entre 30 e 60%) exige seguimento clínico
rigoroso e avaliação contínua das margens cirúrgicas. Em suma, a elevada suspeição clínica para neoplasias intraepiteliais
e a realização precoce da biópsia são fundamentais no manejo de lesões vulvares persistentes, a fim de evitar atrasos
terapêuticos, reduzir o risco de progressão da doença e otimizar o desfecho clínico das pacientes.

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Publicado

2026-03-11

Como Citar

1.
Solak V, Solak V, Greselle NVN, Virtuan MV, Delfrate EF, Zunino AX. EP50: Atraso diagnóstico em doença de Paget vulvar: um alerta para a necessidade de biópsia precoce em lesões vulvares persistentes – um relato de caso. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 11º de março de 2026 [citado 18º de maio de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/217

Edição

Seção

Apresentação em Posteres