EP52: Entraves na assistência à população trans para a coleta de citologia oncótica: um relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP52Palavras-chave:
trangênero, câncer, citologiaResumo
O câncer do colo do útero é considerado um dos tipos mais incidente entre pessoas portadoras de útero, sendo a quarta
causa de mortalidade nessa população. O rastreamento é realizado por meio da citologia oncótica (Papanicolau), indicada
para todos que iniciaram a vida sexual com penetração a partir dos 24 anos, de forma anual, e, se dois exames
consecutivos apresentaram resultados negativos, passa a ser trienal até os 64 anos, quando pode ser interrompido, caso
mantenha dois resultados negativos. Todavia, a prevalência da coleta de citologia ainda está aquém da meta. Segundo
a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, no Rio de Janeiro houve cobertura de 72% no período de 2018 a
2022, e, quando avaliada a população LGBTQA+, esse índice cai para 49%. Entre os fatores associados à baixa adesão
estão a vergonha, a falta de empatia e acolhimento por parte dos profissionais de saúde e a desinformação. Relata-se o
caso de um paciente homem trans que nunca havia realizado o exame preventivo, apesar da indicação, e que, ao realizar
a coleta, apresentou lesão de alto grau. Paciente de 38 anos, homem trans, orientação sexual heterossexual, casado com
mulher cisgênero, relatou relações sexuais com penetração desde os 18 anos, tabagismo desde os 15 anos (um maço/
dia), sem comorbidades conhecidas e sem histórico vacinal informado. Relatou ter procurado atendimento ginecológico
anteriormente, ocasião em que foi orientado de forma equivocada de que, por não manter relações sexuais, não haveria
necessidade de realizar a citologia oncótica. Foi atendido em ambulatório, realizado exame físico e coleta da citologia.
No retorno, o resultado evidenciou lesão de alto grau (ASC-H), sendo encaminhado à colposcopia e orientado a interromper
o tabagismo. O exame colposcópico revelou carcinoma in situ, e o paciente encontra-se em preparo pré-operatório
para tratamento da patologia cervical. Conclui-se, a partir deste caso, que ainda existem barreiras significativas no
acesso e na oferta de assistência adequada à população trans. Destaca-se a necessidade de capacitação nos currículos de
formação, a fim de promover atendimento equânime a essa população.