EP53: A importância do rastreamento histopatológico: um relato de caso em pacientes histerectomizadas
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP53Palavras-chave:
mioma, histerectomia, citologiaResumo
A histerectomia é uma das intervenções cirúrgicas mais frequentes em ginecologia, consistindo na retirada total do útero,
podendo incluir ou não o colo uterino. A histerectomia total, quando realizada por causas benignas e com histopatológico
do colo uterino livre de lesões, pode configurar critério para encerramento do rastreamento. Todavia, nos casos em
que o exame anatomopatológico evidenciou lesão intraepitelial escamosa de alto grau (NIC 2 ou NIC 3), a recomendação
vigente é a continuidade da citologia vaginal periódica, agora como avaliação do coto vaginal. O presente artigo
descreveu dois relatos de caso de pacientes submetidas à histerectomia total, com realização de exame histopatológico do
colo uterino no intraoperatório. Ambas apresentaram laudos compatíveis com NIC III na revisão pós-cirúrgica, o que
motivou mudança de conduta, com indicação de continuidade do rastreamento por citologia vaginal. Relato de Caso 1:
M.C.D.S., 37 anos, G2PC2, nega comorbidades e alergias. Procura consulta para acompanhamento de leiomiomas, em
uso de anticoncepcional para tratamento, porém sem resposta significativa. O último exame citopatológico apresentava-
-se sem alterações e negativo para neoplasias. Devido à refratariedade ao tratamento clínico e ao sangramento contínuo,
além da recusa ao uso de dispositivo intrauterino (DIU) hormonal, indicou-se histerectomia total. O exame citopatológico
prévio não mostrou atipias. Realizou-se histerectomia vaginal. O histopatológico pós-cirúrgico evidenciou lesão
NIC III em epitélio superficial e túneis glandulares ao nível da junção escamocolunar (JEC) em lábio posterior, leiomiomas
intramural e subseroso e cistos foliculares em ovário direito. A paciente foi orientada quanto à necessidade de
continuidade do rastreamento por meio de citologia vaginal. Relato de Caso 2: M.J.P., 61 anos, menopausa aos 52 anos,
hipertensa, dislipidêmica, nega alergias. Encaminhada para acompanhamento ginecológico por prolapso uterino grau
3 e incontinência urinária com piora nos últimos meses. O exame citopatológico prévio encontrava-se sem alterações
e negativo para neoplasias. Indicou-se histerectomia total por distopia genital acentuada e prolapso uterino com piora
progressiva. O exame histopatológico pós-cirúrgico revelou leiomioma intramural, adenomiose, endométrio atrófico e
lesão NIC III focal ao nível da JEC à esquerda. A paciente foi orientada, em revisão cirúrgica, sobre a necessidade de
rastreamento vaginal com coleta de citologia. Comentários: Conclui-se, a partir dos casos descritos, que é fundamental
a realização do exame anatomopatológico após histerectomia, mesmo quando indicada por causas benignas. A identificação
de achados incidentais, como lesões precursoras ou câncer em estágio inicial, pode modificar a conduta e possibilitar
o início precoce do tratamento, aumentando, portanto, as chances de cura.