EP54: Importância da realização da citologia na população LGBTQIA+
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP54Palavras-chave:
trangênero, citologia, cancerResumo
Introdução: Apesar de existirem estratégias eficazes para prevenção, o câncer do colo do útero continua sendo um importante
problema de saúde pública, sendo a terceira maior causa de neoplasia em pessoas com útero. Sua principal etiologia
é a persistência do Papilomavírus Humano (HPV), a infecção sexualmente transmissível mais prevalente mundialmente.
No entanto, seu rastreamento está longe de atingir as metas pré-estabelecidas, com apenas 47% das pessoas com útero
da população LGBTQIA+ realizando o exame de forma adequada, segundo dados do Ministério da Saúde. Objetivo:
Avaliar, dentro da população do estudo, quais pacientes apresentaram resultado citológico alterado. Material e Métodos:
Trata-se de estudo transversal com pacientes atendidas em ambulatório de ginecologia para população LGBTQIA+ no
período de junho de 2024 a 2025. Foram calculadas média e mediana da população, bem como avaliadas as alterações
de citologia. Resultados: Foram realizadas 67 coletas de citologia oncótica, das quais 6 pacientes apresentaram resultado
alterado. A faixa etária variou de 26 a 36 anos, com média de 30 anos. Entre as pacientes com citologia alterada, 1 (16,6%)
se identificou como cisgênero e 5 (83,3%) como transgênero. Quando à vacinação contra HPV, 2 (33,3%) informaram
não ter sido vacinadas e 4 (66,6%) não souberam informar, indicando que nenhuma das pacientes com exame alterado
estava formalmente protegida com a vacina tetravalente. Sobre o tipo de relacionamento: 1 (16,6%) relaciona-se apenas
com mulheres cis, 1 (16,6%) com mulheres trans e 4 (66,6%) com ambos os sexos. Quanto à presença de parceiro fixo:
1 (16,6%) relatou ser casado, porém com relação não monogâmica; 5 (83,3%) referiram relacionamento monogâmico.
Na rotina ginecológica, 3 (50%) já haviam realizado coleta citológica anteriormente, com resultados negativos, enquanto
3 (50%) realizaram o exame pela primeira vez. Em relação às alterações citológicas: 2 pacientes apresentaram lesão de
alto grau (ASC-H e AGUS) e 4 apresentaram lesão de baixo grau (ASC-US). As pacientes com lesão de alto grau
foram encaminhadas para colposcopia, enquanto as com lesão de baixo grau seguem em acompanhamento com nova
citologia em seis meses, conforme protocolo. Conclusão: Conclui-se que metade das pacientes do estudo nunca havia
realizado coleta citológica, seja por falta de informação do paciente ou do profissional de saúde, evidenciando barreiras
importantes enfrentadas por essa população. Dessa forma, é fundamental capacitar profissionais para um atendimento
mais acolhedor e realizar campanhas de conscientização sobre a importância do rastreamento, garantindo atendimento
individualizado e não restrito apenas a mulheres cisgênero.