EP55: Hiperplasia de restos mesonéfricos

Autores

  • Bruna Obeica Vasconcellos
  • Vanessa Rodrigues Apfel
  • Ana Ximena Zunino
  • Palloma de Oliveira Miranda Veloso
  • Beatriz Soares Guazzi
  • Jacqueline Assumção Silveira Montuori
  • Ana Maria Reis Nascimento

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP55

Palavras-chave:

câncer, colo uterino, rastreamento, Papanicolau

Resumo

Introdução: No sexo feminino, os ductos mesonéfricos sofrem regressão; no entanto, podem persistir sob a forma de
remanescentes mesonéfricos descritos por Meyer, em 1907, como estruturas vestigiais não funcionais, entre as quais se
destacam a rete ovarii, o epoóforo e o paroóforo. Segundo Montalvo et al. (2019), a prevalência desses remanescentes
varia de 1 a 22% em adultos, podendo alcançar até 40% em crianças. De acordo com Graça (2022), em mulheres adultas
ocorre, principalmente, durante o período reprodutivo, sendo os dois tipos mais comuns o lobular e o difuso, com
intervalos de 16 a 35 anos e 16 a 47 anos, respectivamente. A identificação de fatores de risco para o desenvolvimento de
lesões de origem mesonéfrica é dificultada pelo fato de que, na maioria dos casos, essas alterações são descobertas incidentalmente
durante a investigação ou tratamento de outras condições associadas a alterações na colpocitologia ou em
biópsias do colo uterino. Relato de Caso: I. F. R, 34 anos, sexo feminino, GIPNIA0, encaminhada por apresentar Lesão
Intraepitelial Escamosa de Alto Grau (HSIL). Tabagista (8 maços/ano), cessou o hábito há duas semanas. Sem vacinação
para Papilomavírus Humano (HPV). Nega comorbidades, alergias e cirurgias prévias. Ao exame físico: vulva trófica,
com pilificação compatível com a idade; ausência de alterações macroscópicas e epiteliais. Vagina com rugosidade
preservada e sem alterações epiteliais à vaginoscopia. Teste de Schiller: negativo. Colo trófico, com orifício externo em
fenda, secreção mucóide sem odor. Junção escamocolunar completamente visível em -1/-1, zona de transformação normal
(ZTN) tipo 1, com orifícios glandulares normais. Presença de epitélio acetobranco (EAB) denso às 12h, dentro da
ZT, após uso de ácido acético a 5%. Teste de Schiller: positivo, resultando em diagnóstico de lesão de alto grau. Indicada
conização. Resultado anatomopatológico: HSIL com extensa ocupação glandular. Presença adicional de hiperplasia
de restos mesonéfricos. Limites ectocervical e endocervical livres. Paciente segue em acompanhamento pós-conização
com a patologia cervical. Comentários: A hiperplasia mesonéfrica é, geralmente, assintomática; contudo, podem
ocorrer algumas apresentações iniciais mais frequentes, como descrito por Graça, em 2022: alterações na colpocitologia,
alterações menstruais, hemorragias pós-menopausa, dor e massas pélvicas, prolapsos uterinos e carcinomas — sendo o
do endométrio o principal deles. As colpocitologias anormais podem indicar o aparecimento de lesões intraepiteliais
pavimentosas, carcinomas endocervicais, adenocarcinomas in situ ou carcinomas in situ de células pavimentosas, sendo
necessária a investigação etiológica por meio de conização do colo do útero. O caso relatado demonstra a importância
da segmentação do rastreio e do acompanhamento realizado em etapas preconizadas pelo Ministério da Saúde.

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Publicado

2026-03-12

Como Citar

1.
Vasconcellos BO, Apfel VR, Zunino AX, Veloso P de OM, Guazzi BS, Montuori JAS, et al. EP55: Hiperplasia de restos mesonéfricos. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 12º de março de 2026 [citado 6º de maio de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/222

Edição

Seção

Apresentação em Posteres