EP56: Lesão ulcerada em prolapso de cúpula vaginal: importância da colposcopia e biópsia no diagnóstico diferencial
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP56Palavras-chave:
prolapso vaginal, úlcera, biópsiaResumo
O prolapso de cúpula vaginal em pacientes histerectomizadas é considerado uma complicação tardia inerente à cirurgia.
Essa condição pode ocasionar atrito e trauma crônicos na parede vaginal, predispondo à formação de úlceras. Lesões
ulceradas em vagina, sobretudo em pacientes idosas ou com histórico por Papilomavírus Humano (HPV), levantam forte
suspeita de neoplasia vaginal primária — diagnóstico raro, porém de grande relevância prognóstica e com impacto significativo
na qualidade de vida. O diagnóstico clínico e histológico diferencial entre úlcera traumática e lesão neoplásica
é essencial para o adequado seguimento, uma vez que o aspecto macroscópico pode mimetizar o câncer vaginal. A colposcopia
associada à biópsia desempenha papel fundamental no diagnóstico e manejo dessas pacientes. Paciente A.B.,
66 anos, G2P1C1, diabética e hipertensa, ex-tabagista, menopausada aos 45 anos, submetida à histerectomia vaginal por
prolapso uterino grau 3 na mesma idade. Encaminhada ao serviço de Patologia do Trato Genital Inferior (PTGI) do
Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná para avaliação de lesão ulcerada, hipervascularizada
e sangrante em parede vaginal anterior, localizada sobre prolapso de cúpula vaginal. Ao exame especular, observou-se
vagina atrófica, presença de prolapso de cúpula vaginal, cistocele grau 1 e retocele grau 1. À colposcopia, evidenciou-se
lesão ulcerada, avermelhada, hiperemiada e vascularizada, de aproximadamente 1 cm de diâmetro, localizada em ângulo
de cúpula vaginal à direita, sangrante ao toque. Foram aventadas as hipóteses de úlcera crônica por atrito em prolapso
de cúpula e neoplasia vaginal. Optou-se pela realização de biópsia incisional sob narcose em centro cirúrgico para elucidação
diagnóstica. O exame histopatológico revelou tecido epitelial escamoso estratificado sem atipias, sob área de
fibrose subepitelial densa, com escasso infiltrado inflamatório misto e superficial, sem evidência de malignidade. Definiu-
se conduta expectante, com uso de estrogênio tópico local e acompanhamento, diante da ausência de malignidade.
O diagnóstico final estabelecido foi de ulceração por atrito e atrofia, decorrente do prolapso de cúpula vaginal. O exame
colposcópico é essencial para caracterizar a lesão, orientar a biópsia e afastar a hipótese de neoplasias. O manejo é, na
maioria dos casos, conservador, com regressão espontânea após estrogenização e/ou excisão local. Portanto, a abordagem
colposcópica minuciosa, associada à confirmação histológica, é fundamental para um acompanhamento seguro e eficaz.