EP57: Acometimento vulvovaginal em paciente com necrólise epidérmica tóxica: um relato de caso

Autores

  • Lorenza Bridi Todeschini
  • Flávia Carvalho Frustockl
  • Francine Zap Bertoncello

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP57

Palavras-chave:

necrólise epidérmica tóxica, vulva, vagina

Resumo

Introdução: A Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) é uma emergência dermatológica caracterizada por necrose disseminada
da epiderme associada a descamação cutânea decorrente de reação imunomediada. Apresenta elevado potencial
de morbidade e mortalidade. Está relacionada principalmente ao uso de medicamentos como antibióticos, anticonvulsivantes,
anti-inflamatórios não esteroidais e alopurinol. Após o atendimento inicial e estabilização da paciente, o exame
ginecológico torna-se fundamental para determinar o grau de comprometimento urogenital e prevenir futuras complicações,
como sinéquias e estenoses. Relato de Caso: Paciente C.M.B.S., 30 anos, procurou atendimento devido a quadro
de angioedema e lesões cutênas sugestivas de urticária após uso de clembuterol e medicação composta por diclofenaco
sódico 50 mg + paracetamol 300 mg + cafeína 30 mg + carisoprodol 125 mg. No atendimento inicial, apresentava lesões
em alvo, bolhosas e difusas pelo corpo, predominantemente em tronco, pescoço e face, com envolvimento de mucosas
em mais de 30% da superfície corporal, achado sugestivo de necrólise epidérmica tóxica (NET). A hipótese foi posteriormente
confirmada por biópsia de pele, sendo iniciado tratamento com prednisona, posteriormente substituída por
ciclosporina. Durante a internação, foi realizada intubação orotraqueal com ventilação mecânica para proteção das vias
aéreas. A paciente evoluiu com infecção de corrente sanguínea por Acinetobacter e Staphylococcus aureus, em tratamento
atual com vancomicina (com uso prévio de cefepime, meropenem, polimixina B e ampicilina + sulbactam). Ao exame
ginecológico, observou-se região pubiana recoberta quase totalmente por bolhas. Em grandes lábios, havia extensa área
de erosões e destacamento epitelial; sinéquia entre pequenos lábios foi desfeita manualmente. O toque vaginal não evidenciou
sinéquias no canal vaginal; o colo do útero apresentava textura habitual e mobilidade preservada, com destacamento
epitelial ao final do exame. Iniciou-se tratamento com aplicação de creme de clobetasol na vulva e colocação
de gazes embebidas no mesmo creme entre os pequenos lábios para evitar adesão. Foi também instituído uso de estriol
intravaginal associado a dilatador vaginal revestido por preservativo, com o objetivo de prevenir a formação de sinéquias
vaginais. Além disso, viciou-se em medroxiprogesterona via intramuscular para indução de amenorreia durante
o tratamento. A paciente permaneceu com sondagem vesical de demora e sondagem retal. Até o presente momento,
encontrava-se em cuidados intensivos na UTI, recebendo o tratamento descrito. Comentários: O tratamento das lesões
genitais secundárias à NET, bem como sua prevenção, é essencial para evitar aderências, sinéquias, estenoses e sequelas
posteriores, como vulvodínia, dispareunia e distorções anatômicas. O manejo ainda se baseia predominantemente em
opinião de especialistas. Recomenda-se o uso de estrógenos e corticoides tópicos na prevenção de aderências, além de
dilatadores vaginais ou sonda de Foley. É importante também manter a paciente em amenorreia durante o tratamento,
visando maior conforto e melhor higiene íntima.

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Publicado

2026-03-12

Como Citar

1.
Todeschini LB, Frustockl FC, Bertoncello FZ. EP57: Acometimento vulvovaginal em paciente com necrólise epidérmica tóxica: um relato de caso. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 12º de março de 2026 [citado 29º de agosto de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/224

Edição

Seção

Apresentação em Posteres