EP58: Prevalência dos subtipos de HPV em pacientes atendidas em laboratório de patologia em Porto Alegre, Rio Grande do Sul
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP58Palavras-chave:
Papilomavírus Humano, infecção, mulheresResumo
Introdução: Mais de 200 subtipos de Papilomavírus Humano (HPV) já foram identificados e classificados conforme
seu potencial oncogênico em subtipos de baixo e alto risco. O exame de pesquisa de DNA-HPV por Reação em Cadeia
da Polimerase (PCR) é capaz de identificar diferentes subtipos virais. É sabido que há variação na distribuição dos subtipos
de HPV entre diferentes regiões, sendo, portanto, importante conhecer os subtipos predominantes localmente para
subsidiar o planejamento de políticas de saúde pública. Objetivos: Determinar os subtipos de HPV de alto risco por
meio de PCR HPV em amostras endocervicais de mulheres atendidas em uma clínica privada de Porto Alegre. Analisar
a frequência de cada subtipo conforme faixas etárias (até 25 anos; 26–30 anos; 31–45 anos; 46–64 anos) e associar
os subtipos encontrados aos resultados anatomopatológicos de biópsias do colo do útero. Métodos: Estudo transversal
com coleta retrospectiva de dados. Foram incluídas pacientes de até 64 anos que realizaram o exame PCR HPV de alto
risco em amostras endocervicais no laboratório, no período de janeiro de 2020 a setembro de 2024. A análise estatística
foi realizada pelo programa SPSS v. 20.0. As variáveis categóricas foram descritas por frequências absolutas e relativas.
A associação entre os resultados das biópsias do colo do útero e os subtipos de HPV foi avaliada pelo teste do qui-quadrado,
com nível de significância de 5%. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Ernesto
Dornelles. Resultados: Foram analisados 1.967 exames de PCR HPV. Do total, 638 apresentaram resultado positivo
para HPV, correspondendo a 32,4% da amostra. A infecção mista (por mais de um subtipo de HPV) foi a mais frequente,
representando 44,4% dos casos positivos. Quando considerada infecção por subtipo único, o mais prevalente foi
o HPV 16, identificado em 87 dos 638 exames positivos (13,6%). Os demais subtipos mais comuns foram: 52 (4,4%), 58
(4,4%), 31 (3,8%) e 51 (3,1%). Na análise por faixa etária, observou-se maior frequência de infecção mista na categoria
até 25 anos (58,1% dos exames positivos) (p=0,018) e maior prevalência do HPV 16 na faixa de 31 a 45 anos (16,2%) em
comparação com a faixa até 25 anos (5,4%). Entre os 638 exames positivos, 263 pacientes possuíam biópsia do colo do
útero, das quais 145 apresentaram resultado benigno (54,9%). Ao associar os resultados anatomopatológicos aos subtipos
de HPV, observou-se que o HPV 16 foi mais frequentemente associado às lesões intraepiteliais de alto grau (NIC3) e
ao adenocarcinoma in situ. Conclusão: Nesta população, a infecção mista foi a mais frequente de infecção pelo HPV,
sendo o HPV 16 o subtipo isolado mais prevalente. Os demais subtipos mais comuns nesta amostra estão contemplados
na vacina HPV nonavalente. Não foram identificados casos de infecção isolada pelo genótipo 18. As lesões de alto
grau associaram-se predominantemente à presença do HPV 16.