EP59: Pólipo endocervical com histologia rara
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP59Palavras-chave:
doenças do colo do útero, colposcopia, patologia clínicaResumo
Introdução: Pólipos endocervicais são relatados em 2 a 5% das mulheres em idade reprodutiva. São compostos por
proliferações papilares de tecido epitelial ao redor de um núcleo estromal fibrovascular, que pode conter epitélio glandular
ou escamoso. Frequentemente assintomáticos, podem causar sangramento pós coito, intermenstrual, aumento do
fluxo menstrual ou sangramento pós-menopausa. São majoritariamente benignos, mas podem apresentar malignidade
em até 0,1% dos casos. A fisiopatologia é incerta, podendo estar relacionada à inflamação crônica, alterações hormonais
e trauma local. Relato de Caso: Mulher de 43 anos, sem comorbidades, em uso de contraceptivo oral combinado,
referia aumento do fluxo e dos dias de sangramento durante a pausa do contraceptivo há dois anos. Negava sinusiorragia,
leucorreia ou histórico de cirurgia ginecológica. Ao exame especular, visualizou-se projeção polipoide endocervical.
No exame colposcópico, observou-se pequena quantidade de muco cervical com aspecto habitual e volumoso pólipo
endocervical, sem outras alterações colposcópicas relevantes. A excisão da lesão polipoide foi realizada com pinça Allis,
e o material foi submetido à análise anatomopatológica. A análise macroscópica descreveu fragmento polipoide e pediculado
de tecido pardo-claro e firme, medindo 2,4x2,2x1,5 cm, com pedículo de 0,5 cm da maior medida. Aos cortes,
apresentava-se cinzento e fosco. Diagnóstico: Pólipo endocervical coristomatoso, apresentando elementos heterólogos no
estroma constituído por tecido adiposo maduro. Comentários: Pólipos endocervicais coristomatosos são lesões benignas
e muito raras com poucos relatos de casos na literatura. São caracterizados pela presença de tecido adiposo maduro
em seu estroma. A fisiopatologia não é completamente compreendida; algumas teorias sugerem derivação da gordura
perivascular ou transformação metaplásica de células musculares lisas, possivelmente após trauma. O reconhecimento
dessa rara entidade por ginecologistas e patologistas é importante para evitar preocupações excessivas e sobretratamento.