EP62: Eficácia do imiquimode na doença de Paget vulvar: um relato de caso

Autores

  • Neila Maria de Góis Speck
  • Ana Carolina Alves de Andrade Silva
  • Ana Carolina Chuery
  • Melissa Cristal Caballero Zenteno
  • Gabriela Catarine Landini Carpinetti Carpinetti

DOI:

https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP62

Palavras-chave:

doença de Paget, vulva, imiquimode

Resumo

Introdução: A Doença de Paget da vulva (DPV), embora rara, apresenta impacto significativo na qualidade de vida das
pacientes, especialmente devido às altas taxas de recorrência e ao seu caráter crônico. O uso do imiquimode 5% tópico
tem se mostrado uma alternativa eficaz e segura como tratamento adjuvante, principalmente na presença de margens
comprometidas ou em casos de recidiva após cirurgia. Estudos como o Paget Trial e a revisão de Machida et al. reforçam
a eficácia do imiquimode, com taxas de resposta completa variando entre 52 e 73%, além de boa tolerabilidade na
maioria dos casos. Relato de Caso: Paciente de 42 anos, encaminhada em janeiro de 2025 ao Núcleo de Prevenção em
Doenças Ginecológicas (NUPREV) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com queixa de lesão vulvar há
um ano, associada a dor, prurido, descamação e odor fétido, com piora progressiva. Apresentava biópsia de vulva, realizada
em novembro de 2024, com resultado de vulvite crônica. Ao exame físico, observou-se lesão extensa, exulcerada,
eritematosa, com áreas endurecidas e edemaciadas em todo o grande lábio esquerdo, associada a placas hipocrômicas
no terço superior do grande e pequeno lábio esquerdos. Foi realizada nova biópsia vulvar. O exame anatomopatológico,
em conjunto com a imunohistoquímica, foi compatível com Doença de Paget extramamária primária da vulva. Estudo
imunohistoquímico: p16: padrão normal; p53: padrão normal; HER 2: positivo, escore 3+; s100: negativo; ck7: positivo
difuso; gata3: positivo difuso; cdx2: negativo; ck20: negativo; brst2: positivo. Optou-se pela prescrição de imiquimode,
aplicado localmente três vezes por semana. A paciente também foi encaminhada ao setor de oncologia pélvica,
que indicou ressecção cirúrgica da lesão. O tratamento com imiquimode foi mantido por oito semanas, com aplicação
local três vezes por semana. Após reavaliação médica, observou-se melhora importante da lesão, com regressão significativa
das áreas exulceradas, redução das placas eritematosas e diminuição do edema local. Optou-se, então, pela redução
da dose para meio sachê de imiquimode, com aplicação duas vezes por semana, até a data cirúrgica. Em abril de
2025, a paciente foi submetida à hemivulvectomia esquerda. O resultado anatomopatológico, associado à imunohistoquímica,
demonstrou ausência de neoplasia residual, com margens cirúrgicas livres. Comentários: A DPV apresenta
quadro clínico desafiador, pois pode simula dermatoses benignas, levando a atraso no diagnóstico. O tratamento padrão
é a exérese cirúrgica ampla, que pode resultar em comprometimento funcional e cicatrizes mutilantes. O imiquimode,
um imunomodulador tópico, tem se mostrado uma alternativa promissora. No caso descrito, o imiquimode foi utilizado
como tratamento inicial, enquanto se aguardava a conduta cirúrgica definitiva. Após a ressecção, o exame anatomopatológico
demonstrou resposta completa ao tratamento instituído. Dessa forma, o tratamento imunomodulador representa
uma opção terapêutica promissora.

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Publicado

2026-03-13

Como Citar

1.
Speck NM de G, Silva ACA de A, Chuery AC, Zenteno MCC, Carpinetti GCLC. EP62: Eficácia do imiquimode na doença de Paget vulvar: um relato de caso. Rev Bras Patol Trato Genit Inferior [Internet]. 13º de março de 2026 [citado 29º de agosto de 2026];9(2). Disponível em: https://rbptgi.emnuvens.com.br/revista/article/view/229

Edição

Seção

Apresentação em Posteres