EP03: Efeitos do laser de CO2 fracionado no tratamento da síndrome genitourinária: estudo piloto
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP03Keywords:
mulheres, menopausa, laserAbstract
Introdução: A síndrome genitourinária da menopausa (SGM), caracterizada por sintomas de atrofia vulvovaginal e disfunções
urinárias, constitui uma das queixas mais frequentes decorrentes da deficiência estrogênica, que também pode
resultar de eventos como cirurgia, quimioterapia ou radioterapia em desordens oncológicas. O uso de terapia estrogênica
nem sempre é possível, podendo-se empregar tecnologias baseadas em energia física. O Laser Fracionado de CO2
tem mostrado bons resultados no tratamento da SGM e de disfunções leves do assoalho pélvico. Trata-se de um método
seguro para remodelar os tecidos tratados, promovendo a produção de colágeno, aumento da elasticidade, lubrificação
e melhora das queixas e da qualidade de vida. Objetivo: Avaliar a eficácia e a segurança do uso do laser de CO2 fracionado
via vaginal no tratamento de mulheres com síndrome geniturinária. Método: Estudo piloto prospectivo e observacional
realizado no Ambulatório de Patologia do Trato Genital Inferior do Hospital das Clínicas do Departamento
de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, incluindo mulheres no menacme
e na menopausa com queixas de ressecamento vaginal (45%), incontinência urinária aos esforços (81%), urgência miccional
(50%), urgincontinência (50%) e dispareunia (27%). Foram triadas 22 mulheres, com idades entre 36 e 74 anos
(77% menopausadas, 41% há mais de 5 anos), por meio de anamnese, exame físico ginecológico, colpocitologia oncótica,
RT-PCR de DNA para HPV, microscopia do conteúdo vaginal, teste de pH vaginal e biópsia de mucosa vaginal.
As participantes foram submetidas a três sessões de laser de CO2 fracionado via vaginal, com intervalo de 30 dias entre
elas. Foram utilizados os questionários de Avaliação de Incontinência Urinária (ICIQ-SF), o Female Sexual Function
Index – 6 (IFSF-6) e o Vaginal Health Index (VHI) na primeira avaliação, após cada sessão e novamente após seis meses.
A cada aplicação foram realizados questionários de satisfação e exame físico ginecológico. Resultados: Após quatro
semanas da primeira sessão, observou-se melhora do ressecamento vaginal em 76,4% das participantes, da incontinência
urinária aos esforços em 83,3%, da urgência miccional em 85% e da dispareunia em 56%. Na segunda sessão, participaram
15 mulheres (duas foram excluídas por quadro de atrofia intensa com sangramento à manipulação, uma por
infecção herpética ativa e quatro não compareceram). Os índices de melhora aumentaram para 100% no ressecamento
vaginal, 92,6% na incontinência urinária aos esforços, 92,2% na urgência miccional e 75% na dispareunia. Conclusão:
O uso vaginal de laser de CO2 fracionado pode ser considerado um método efetivo e seguro no tratamento da atrofia
vulvovaginal, proporcionando maior satisfação das mulheres com a saúde urinária e sexual.