EP07: Infiltração vaginal por adenocarcinoma colorretal: diagnóstico diferencial de lesão vegetante vulvovaginal
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP07Keywords:
vagina, adenocarcinoma, colorretalAbstract
As neoplasias malignas do trato genital inferior feminino frequentemente apresentam diagnóstico tardio, em virtude de
sintomas inespecíficos ou mesmo ausência de sintomas. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, marcado
por desigualdades socioeconômicas e barreiras de acesso ao sistema de saúde, é comum que pacientes procurem atendimento
em estágios avançados da doença, nos quais o exame físico encontra-se prejudicado. Nesses contextos, ainda que
a anamnese oriente hipóteses diagnósticas, é imprescindível a confirmação anatomopatológica para definição da conduta
adequada. Relata-se o caso de MFC, 46 anos, natural de Alagoas e procedente de São Paulo há um mês. Paciente
sem comorbidades relatadas, com déficit cognitivo importante de etiologia desconhecida, encaminhada ao pronto atendimento
ginecológico do Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch, acompanhada de familiares que referiam sangramento
vaginal fétido em pequena quantidade e perda ponderal significativa há dois meses. Negava sintomas urinários
e relatava padrão evacuatório preservado. Sem antecedentes pessoais patológicos conhecidos, nuligesta, virgem e com
ciclos menstruais irregulares. Ao exame físico, observou-se cicatriz extensa de queimadura abdominal prévia e presença
de lesão tumoral de aspecto vegetante, endurecida e bem vascularizada, acometendo toda a região vestibular e os terços
inferiores das paredes vaginais, com odor fétido. Ao toque vaginal, evidenciou-se infiltração do terço inferior das paredes
vaginais; contudo, não foi possível a avaliação do colo do útero e dos paramétrios devido à intensa dor. O toque retal
não foi realizado em virtude de agitação e dor. Foram solicitados exames laboratoriais e de imagem, além da realização
de biópsia incisional. A tomografia computadorizada de abdome demonstrou espessamento irregular da região vulvar,
de avaliação limitada por esse método, além de linfonodos inguinais aumentados, porém inespecíficos. O estudo histopatológico,
complementado por imunohistoquímica, revelou adenocarcinoma com perfil compatível com neoplasia
de origem gastrointestinal, sugerindo sítio primário colorretal. O caso ilustra os desafios diagnósticos impostos pelas
neoplasias genitais em estágios avançados, sobretudo em pacientes com limitações de comunicação e acesso aos serviços
de saúde. Ressalta-se a relevância da biópsia e da análise imunohistoquímica para a elucidação do sítio primário
em apresentações clínicas atípicas, como neste caso, no qual se evidenciou provável neoplasia colorretal avançada com
infiltração vaginal por contiguidade.