EP14: Perfil microbiano de neovaginas construídas com pele de tilápia em mulheres com síndrome de Rokitansky: análise baseada no gene 16S rRNA
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP14Keywords:
anormalidades congênitas, vagina, tilápia, microbiota, RNA ribossômico 16SAbstract
Introdução: A síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (SMRKH) é uma anomalia congênita decorrente do
subdesenvolvimento embriológico dos ductos de Müller, resultando em agenesia vaginal em mulheres com genitália
externa normal e cariótipo feminino (46,XX). O tratamento cirúrgico consiste na neovaginoplastia, sendo descritos
diferentes materiais (pele, peritônio, segmentos intestinais) para reconstrução vaginal. Recentemente, biomateriais
como a pele de tilápia vêm sendo estudados como alternativas inovadoras para a neovaginoplastia. No entanto, ainda
são escassos os dados sobre o microbioma das neovaginas construídas com esse enxerto biológico. Objetivo: Descrever
o microbioma de neovaginas construídas com pele de tilápia liofilizada em pacientes com SMRKH. Material e Métodos:
Estudo transversal com 12 pacientes com agenesia vaginal atendidas na Maternidade Escola Assis Chateaubriand
da Universidade Federal do Ceará (MEAC/UFC), submetidas à neovaginoplastia com pele de tilápia. As amostras de
conteúdo neovaginal foram coletadas entre julho de 2022 e maio de 2023, armazenadas a -80°C no Núcleo de Pesquisa
e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) e processadas por sequenciamento do gene 16S rRNA no Laboratório
de Investigação Médica 49 (LIM 49) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFUSP). Resultados:
Os dados revelaram a predominância do filo Firmicutes, seguido por Actinobacteriota, Bacteroidota, Fusobacteriota
e Proteobacteria. Em nível de gênero, as análises identificaram a presença de Lactobacillus, Prevotella e Streptococcus na
maioria das amostras. Em menor quantidade, foram observados os gêneros Finegoldia, Faecalibacterium e Bacteroides.
A predominância de Lactobacillus iners nas amostras de neovaginas, bem como a presença de espécies anaeróbias, sugeriu
semelhanças com os Community State Types (CST) III e IV da microbiota vaginal. Conclusão: Os resultados indicam
que a pele de tilápia pode favorecer a colonização por comunidades bacterianas semelhantes às da vagina humana,
reforçando seu potencial como biomaterial alternativo a outros enxertos. Este é o primeiro estudo a utilizar sequenciamento
de nova geração para caracterizar o microbioma de neovaginas revestidas com pele de tilápia, contribuindo para
o entendimento das implicações microbiológicas desse procedimento cirúrgico.