EP18: Vacina contra o Papilomavírus Humano pelo Programa Nacional de Imunizações no Sistema Único de Saúde e a incidência do câncer do colo do útero em Alagoas
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP18Keywords:
Papilomavírus Humano, câncer de colo do útero, vacinação, epidemiologia, AlagoasAbstract
Introdução: O câncer do colo do útero é uma das neoplasias mais prevalentes entre mulheres brasileiras, especialmente
em regiões com menor acesso a serviços de saúde. A infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV) é considerada
o principal fator etiológico. Desde 2014, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a vacina contra
o HPV, com o objetivo de reduzir a incidência da doença. Este estudo analisou a evolução da cobertura vacinal em
Alagoas e sua p)ossível relação com os casos registrados de câncer do colo do útero. Objetivo: Analisar a evolução da
cobertura vacinal contra o HPV e os casos registrados de câncer do colo do útero em Alagoas entre 2014 e 2024. Foram
utilizados dados do Sistema de Informação do Câncer (SISCAN) e estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA),
aplicando-se análises estatísticas para avaliar a relação entre as variáveis. Metodologia: Estudo observacional retrospectivo
com abordagem quantitativa. Fontes utilizadas: Cobertura vacinal: Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS),
2014–2024; Casos de câncer: SISCAN e estimativas do INCA; e Análise estatística: Correlação de Pearson e regressão
linear simples. Resultados: Os dados indicam uma correlação negativa entre o aumento da cobertura vacinal e a redução
da incidência da doença, embora fatores como subnotificação e interrupções nos serviços de saúde durante a pandemia
possam afetar a robustez da relação causal. Análise Estatística: Correlação de Pearson: r=-0,87 (forte correlação
negativa); Regressão linear: aumento de 10% na cobertura vacinal; redução estimada de 1,1 casos por 100 mil mulheres.
Discussão: Os resultados sugerem uma associação inversa consistente entre a cobertura vacinal e a incidência de câncer
do colo do útero em Alagoas. A queda observada durante a pandemia reflete o impacto da interrupção dos serviços de
saúde, com possível subnotificação de casos. Embora a correlação seja forte, não é possível afirmar causalidade absoluta,
pois outros fatores — como rastreamento citopatológico, acesso ao diagnóstico precoce e fatores sociodemográficos —
também influenciam os resultados. A literatura científica reforça que a vacinação contra o HPV é altamente eficaz na
prevenção de lesões precursoras e neoplasias invasivas. Entretanto, o tempo de latência entre a infecção e o desenvolvimento
do câncer pode ultrapassar uma década, exigindo estudos longitudinais para confirmação da causalidade. Conclusão:
A evolução da cobertura vacinal contra o HPV em Alagoas está associada à redução gradual da incidência de
câncer do colo do útero. Embora os dados indiquem uma relação causal provável, a complexidade dos fatores envolvidos
exige cautela na interpretação. O fortalecimento das políticas de vacinação, rastreamento e educação em saúde é essencial
para consolidar os avanços e reduzir ainda mais os casos da doença.