EP36: Conização em gestante com adenocarcinoma in situ de colo uterino
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP36Palavras-chave:
adenocarcinoma in situ, gravidez, conizaçãoResumo
Introdução: O adenocarcinoma in situ (AIS) cervical pode coexistir com lesões multifocais ou invasivas em até 15% dos
casos. Quando diagnosticado durante a gestação, o manejo usual é expectante, com reavaliações trimestrais por colposcopia
e citologia oncótica (CO) para exclusão de invasão. Caso seja indicado tratamento excisional, este deve ser preferencialmente
realizado no segundo trimestre. O presente relato descreveu um caso de adenocarcinoma in situ cervical
diagnosticado em gestante e conduzido de forma conservadora. O consentimento informado por escrito foi obtido.
Relato do Caso: Gestante de 30 anos, G3P1A1 (parto vaginal há 5 anos), assintomática e sem história de imunossupressão,
encaminhada para colposcopia após CO com achados de Células Glandulares Atípicas de Significado Indeterminado
— não se pode afastar lesão de alto grau (ACG-neo). A paciente desconhecia estar gestante. Inicialmente,
foi realizado escovado endocervical e colposcopia com biópsia de área de epitélio acetobranco tênue e mosaico fino
dentro de epitélio glandular. O escovado mostrou lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL) e a biópsia, AIS.
No retorno com os resultados, a gestação já havia sido confirmada, e a paciente passou a ser acompanhada em pré-natal.
Foi constatada malformação fetal (meningomielocele) e colo curto, sendo realizada cerclagem uterina na 25ª semana
de idade gestacional (IG), sem intercorrências. Repetiram-se CO e colposcopia com biópsia quatro meses após o diagnóstico
inicial, sem achados suspeitos de invasão. Os resultados da CO e da biópsia permaneceram como HSIL e AIS,
respectivamente. A paciente manteve acompanhamento pré-natal habitual, com resolução da gestação por cesariana às
38 semanas. Durante o parto, foi realizada conização, sem intercorrências. O exame anatomopatológico evidenciou AIS
com margens livres. Comentários: Por estar associado ao adenocarcinoma invasivo e a lesões multifocais, o manejo inicial
do AIS deve incluir conização para confirmação diagnóstica e exclusão de doença invasiva. Após o diagnóstico, a
histerectomia é o tratamento definitivo, por reduzir o risco de doença residual ou progressão para invasão. Na gestação,
a conização é usualmente indicada entre seis e oito semanas após o parto. Entretanto, devido à maior agressividade em
relação às lesões escamosas e ao risco de lesão invasiva concomitante, há relatos de casos em que a conização foi realizada
durante a gestação, associada à cerclagem uterina no segundo trimestre, com bons desfechos gestacionais. Entre os
riscos associados ao procedimento estão sangramento vaginal, aborto espontâneo, ruptura prematura de membranas,
trabalho de parto prematuro e infecção.