EP46: Vulnerabilidades das mulheres quilombolas ao câncer do colo do útero: determinantes sociais e estratégias de prevenção
DOI:
https://doi.org/10.5327/2237-4574-EP46Palavras-chave:
câncer, colo do útero, afrodescendenteResumo
Introdução: O câncer do colo do útero (CCU) representa um grave problema de saúde pública que afeta desproporcionalmente
mulheres quilombolas. Esta neoplasia maligna, caracterizada pelo crescimento desordenado do tecido cervical,
apresenta forte associação com o Papilomavírus Humano (HPV), detectado em 99,7% dos carcinomas cervicais.
As comunidades quilombolas, definidas como grupos étnico-raciais com trajetória histórica própria, enfrentam múltiplas
vulnerabilidades que impactam o acesso aos serviços de saúde e às medidas preventivas. Objetivos: Analisar os fatores
de risco para o CCU em mulheres quilombolas, identificar vulnerabilidades específicas dessa população e examinar
estratégias de prevenção primária e secundária, considerando as particularidades culturais e socioeconômicas das comunidades
remanescentes de quilombos. Métodos: Revisão narrativa da literatura científica abordando aspectos epidemiológicos,
fisiopatológicos e preventivos do CCU em comunidades quilombolas. Foram analisados estudos sobre a relação
HPV-CCU, fatores de risco comportamentais e socioeconômicos, características demográficas quilombolas e estratégias
preventivas culturalmente apropriadas. Resultados: O CCU apresenta incidência elevada em regiões menos desenvolvidas,
afetando mulheres quilombolas com barreiras de acesso à saúde. Os tipos 16 e 18 do HPV respondem por 70%
dos casos de CCU. As comunidades quilombolas totalizam 1.330.186 pessoas em 1.700 municípios, concentrando-se
majoritariamente na regisão Nordeste (68,14%). As vulnerabilidades femininas quilombolas resultam da intersecção
de fatores individuais, sociais e programáticos, incluindo conhecimento limitado sobre saúde sexual, condições socioeconômicas
desfavoráveis e acesso restrito aos serviços de saúde. A prevenção primária, por meio da vacinação contra
o HPV — incorporada ao Programa Nacional de Imunizações em 2014 —, enfrenta desafios de cobertura em comunidades
isoladas. A prevenção secundária baseia-se no rastreamento citológico, capaz de prevenir até 100% dos casos
quando adequadamente implementado. Conclusão: O CCU em comunidades quilombolas requer abordagens específicas
e culturalmente apropriadas. As múltiplas vulnerabilidades demandam estratégias integradas que considerem as
particularidades locais. A implementação efetiva da vacinação contra o HPV e do rastreamento citológico, associada à
educação em saúde culturalmente sensível, é fundamental para reduzir a incidência e a mortalidade. Políticas públicas
direcionadas são essenciais para garantir equidade no acesso à prevenção e ao tratamento.