LESÃO INTRAEPITELIAL ESCAMOSA CERVICAL PRODUTORA DE MUCINA (SMILE)
RELATO DE CASO
Palavras-chave:
lesões intraepiteliais escamosas cervicais, lesões glandulares, SMILE, mucinaResumo
Lesão intraepitelial escamosa produtora de mucina (SMILE) é um achado histopatológico do colo do útero incomum, com origem controversa e poucos estudos publicados com relação ao melhor manejo e seguimento. Relato de caso: Paciente de 48 anos, encaminhada com laudo de citopatológico do colo do útero (CO) com alterações em células escamosas de significado indeterminado não podendo excluir alto grau (ASC-H). Foram realizados novos exames em nosso serviço, cujo resultado foi de citopatológico e biópsias compatíveis com lesão intraepitelial de alto grau (LIEAG), além de imuno-histoquímica (IHQ) com p16 positivo. Realizada exérese de zona de transformação tipo 2 por cirurgia de alta frequência (CAF), com resultado anatomopatológico de lesão de alto grau com margem radial profunda comprometida por neoplasia intraepitelial cervical 3 (NIC 3) e quadro morfológico compatível com SMILE. A IHQ concluiu se tratar de achados imunomorfológicos sugestivos de lesão com diferenciação mista (adenoescamosa). Realizada conização a frio noventa dias após o CAF, sem neoplasia residual na peça cirúrgica e plano de seguimento semestral com CO e colposcopia. Discussão: Foi definido em 2014, pela Organização Mundial da Saúde, que o SMILE é uma variante do adenocarcinoma in situ (AIS), entretanto alguns autores discordam por acreditarem na associação do SMILE com LIEAG e AIS, além de carcinoma invasor. Morfologicamente apresenta uma sobreposição de NIC e de AIS e a IHQ é positiva para p16 e imunofenotipicamente parece se assemelhar mais à NIC do que ao AIS. Por não haver um consenso se mais associado à NIC ou ao AIS, o tratamento do SMILE torna-se controverso, além de que os estudos são inconclusivos quanto ao risco de carcinoma invasor. Portanto, acreditamos que o mesmo deve ser abordado com tratamento excisional, com retirada completa da lesão, e seu seguimento realizado de acordo com o recomendado para AIS. Não há consenso quanto ao seu manejo e seguimento, sendo necessários mais estudos sobre o assunto.
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